quinta-feira, 19 de maio de 2011

Você sabe colocar pronomes em locuções verbais?


Depois de dois textos sobre próclise, mesóclise e ênclise, o tema desta postagem é colocação pronominal em locuções verbais. 

Antes das explicações é necessário lembrar que locução verbal é formada por verbo auxiliar + verbo no infinitivo, no gerúndio ou no particípio.

Apesar de o nome ser complicado, as regras são simples. Vamos a elas:

1)    Verbo auxiliar + verbo no particípio: o pronome deve ser colocado depois do auxiliar. Veja:

• Tinha-o feito mal, por isso o garoto temia aquela babá.

• Foi-lhe dito que reprovaria se não estudasse.

Havendo palavra atrativa, o pronome precede o verbo auxiliar.

• Não o tinha feito mal, por isso o garoto não temia a babá.

• Nunca lhe foi dito que reprovaria se não estudasse.

2)   Verbo auxiliar + verbo no gerúndio ou no infinitivo: o pronome aparecerá após o verbo auxiliar ou após o principal; tanto faz.

• O detetive estava o filmando, como pediu a sua cliente.

• O detetive estava filmando-o, como pediu a sua cliente.

• Você precisa se conformar com o resultado.

• Você precisa conformar-se com o resultado.

Atenção: se houver alguma palavra atrativa, o pronome será empregado antes do auxiliar ou depois do principal.

• Sempre lhe quis contar a verdade, mas tinha medo.

• Sempre quis contar-lhe a verdade, mas tinha medo.

Mas nunca entre os dois verbos: “sempre quis lhe contar...”

• Quem o acabou convencendo a viajar?

• Quem acabou convencendo-o a viajar?

E não: “quem acabou o convencendo...”
 
É isso. Com este texto se encerra a série sobre colocação pronominal. Até breve!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Colocação pronominal, parte II — mesóclise e ênclise


Além da próclise, tratada na primeira parte do tema, a colocação pronominal também abrange a mesóclise e a ênclise. A primeira, menos usual; a segunda, mais fácil de memorizar. Vamos a elas:

Mesóclise ocorre quando o pronome aparece no meio do verbo. Mas atenção, só no futuro do presente (algo que vai acontecer: comprarei, viajarás, sairá, emprestaremos, correrão) e no futuro do pretérito (algo que deixou de acontecer: devolveria, beijaríamos, assumiriam).

• Comprar-lhe-ei muitas joias.

• Se você permitisse, seu colega beijar-te-ia.

Entretanto, se houver uma palavra atrativa, ocorrerá a próclise.

• Não vos emprestarei os meus novos CDs.

• Quem se assumiria responsável pelo crime?

Ênclise é a forma de mais fácil memorização e aplicação. Aparece em quatro casos:

1)   No início de frase ou após pausa:

• Convidaram-na para sair, mas ela recusou.
E não: “A convidaram”...

• Pelo bom desempenho nas competições, convocaram-nos para a seleção principal.
Nunca: Pelo bom desempenho nas competições, “nos convocaram”...

2)   Com o verbo no infinitivo impessoal:
Infinitivo impessoal é a forma natural do verbo, não relacionada a nenhuma pessoa.

• É recomendável contar-lhe tudo, para evitar mais problemas.
Não caberia: “lhe contar”.

• O candidato procurou preparar-se com as melhores apostilas.
Também estaria errado: “se preparar”.

3)   Com verbo no imperativo:
Imperativo é o modo que imita ordem, pedido, conselho, sugestão, proposta.

• Levante-se mais cedo, para não perder a hora.

• Se continuar fumando, vai sofrer as consequências, mais cedo ou mais tarde. Então preocupe-se!

• Faça-nos um favor, fique em silêncio!

4)   Com verbo no gerúndio:
• O adolescente, ofendendo-nos assim, prejudicará mais a sua situação.

• Entregando-a ainda hoje, qual o prazo de entrega?

Mas se o gerúndio vier antecedido de palavra atrativa ou de preposição, também deverá ser usada a próclise.

• Ninguém está me compreendendo direito.

• É muita falsidade aquele recado o chamando de querido. 

• Catarina gosta de romance, em se tratando de filme.

O próximo texto abordará a colocação pronominal em locuções verbais. Até breve.

sábado, 7 de maio de 2011

Colocação pronominal, parte I — próclise


Próclise, mesóclise e ênclise. Essas palavras, um tanto esquisitas, caracterizam a colocação pronominal em relação aos verbos nas frases. Ou seja, os pronomes oblíquos átonos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as e lhes) podem aparecer antes, no meio ou depois dos verbos.

Esse tema, só para variar, causa divergência entre os gramáticos. Embora existam regras, alguns defendem o “não-engessamento” da colocação pronominal. Particularmente, prefiro seguir as normas oficiais.

Neste primeiro texto sobre o assunto, abordo a próclise, que envolve a maior parte dos casos. O leitor lembra o que é próclise? É a colocação do pronome oblíquo antes do verbo, e ocorre nos seguintes casos:

a)   Com palavras ou expressões negativas (não, nunca, jamais, nada, nem, de modo algum).
Alguns exemplos:

• Não me arrependo do que disse.
Perceba que o ‘não’ atrai o pronome ‘me’ para antes do verbo.

• Marina comprou sem pesquisar; nem se deu conta da diferença de preços.
Nesse caso, o ‘nem’ também puxou o ‘se’. 

b)   Com pronomes relativos (que, o qual, a qual, cujo, cuja, quanto), demonstrativos (isso, isto, aquilo, esse, este, aquele, essa, esta, aquela) e indefinidos (algum, nenhum, todo, outro, muito, pouco, certo, tanto, quanto, qualquer, alguém, ninguém, tudo, outrem, nada, cada, algo).
• Foi a mãe das crianças que as ensinou a pintar.
Observe: ‘que as ensinou’; e não: ‘que ensinou-as’
 
• Essa explicação nos convenceu a mudar de ideia.
Aqui, o correto é ‘nos convenceu’. Não poderia estar escrito ‘convenceu-nos’.

• Alguém me mostrou o caminho a seguir.
E não, ‘mostrou-me’.

c)    Com pronomes interrogativos (que, quem, qual, quais, quanto, quantos, quantas).
• Quem lhe disse o motivo da comemoração?

• De todas as músicas, qual a emocionou mais?

d)   Com gerúndio precedido da preposição em.
• Em se tratando de rebeldia, aqueles adolescentes ganham disparado.

• Não restam dúvidas, em se falando de livros, sobre a qualidade do acervo público.

e)   Com frases exclamativas.
• Deus lhe pague!

f)     Com formas verbais proparoxítonas.
• Nosso carro é novo. Se o vendêssemos, seria possível quitar a dívida.

g)    Com advérbios.
• Priscila sempre se dedicou aos estudos.

• Certamente o encontraram dormindo.

• Pouco se fez pela moralização na política.

• Aqui a fizeram refletir depois de tantas atitudes impensadas.
 
É isso. No próximo texto, mesóclise e ênclise. Até breve!

sábado, 30 de abril de 2011

Os escândalos continuam na Assembleia Legislativa do Paraná


O mais recente envolve o atual presidente, Valdir Rossoni; funcionária fantasma teria ‘ocupado’ seu gabinete

A imoralidade e os crimes praticados contra a sociedade paranaense na principal casa de leis do estado parecem mesmo não ter fim. Não bastasse o escândalo dos atos secretos que lesaram o Paraná e sua população por anos, agora recai sobre o presidente da Assembleia a suspeita de ter mantido uma funcionária fantasma em seu gabinete.

Eleito com a promessa de investigar, punir e recuperar a imagem do Legislativo, o tucano Valdir Rossoni se vê envolvido num esquema irregular. Segundo revelou ontem o jornal Gazeta do Povo, ele teria empregado em seu gabinete de deputado, entre 2003 e 2005, Hellena Luiza Valle Daru. Nesse período, a “funcionária” teria recebido R$ 331,5 mil de salário.

Mas tudo não passaria de uma fraude, pois Hellena encaminhou um documento à Receita Federal garantindo nunca ter trabalhado na Casa, tampouco percebido os pagamentos. Ou seja, mais uma fantasma usada em desvio de dinheiro público, afinal os milhares de reais foram efetivamente depositados numa conta, informa a matéria do diário curitibano. E aonde foram parar? Quem viu a cor da grana?

Coincidência ou não, Hellena é mãe de Altair Carlos Daru — ninguém menos que funcionário, e homem de confiança, de Valdir Rossoni há dez anos! E o tucano vem a público dizer que não sabia? Quer que os paranaenses acreditem que ele desconhecia o fato de a mãe do seu amigo ter sido funcionária fantasma de seu gabinete? Como pode o parlamentar não saber quem trabalha ou trabalhou para ele, já que as nomeações e exonerações saem no Diário Oficial?

Quando foi eleito presidente, o peessedebista exonerou e nomeou diretores, fechou a gráfica que imprimia os diários secretos, pediu segurança da Polícia Militar, garantiu promover a moralização da Assembleia. Agora vemos que tudo foi “jogo de cena”. Assistimos indignados às alegações do tucano sobre o desconhecimento da fantasma sob suas asas.

Pelo jeito, apesar da promessa dos nobres parlamentares, após os escândalos descobertos no ano passado, pouca coisa mudou no Poder Legislativo do Paraná. E o pior: a esperança de que mudará caiu por terra agora, com o exemplo de imoralidade vindo do presidente da Casa — mesmo que a irregularidade tenha ocorrido antes de ele ocupar essa função.