segunda-feira, 18 de julho de 2016

Como foi o seu fim (ou final?) de semana?

Ao encontrar um amigo ou colega de trabalho na segunda-feira, você perguntou a ele, ou ele a você, como foi o final de semana? Ou a expressão utilizada foi fim de semana? Será que há diferença entre fim e final? O que me diz, caro leitor? Bem, eu lhe digo que em alguns casos existe distinção; em outros, não.

No uso acima tanto faz dizer fim ou final de semana porque as palavras fim e final são substantivos que indicam a última parte de algo. No exemplo, do período de dias. Então o uso é facultativo, assim como será sempre que os termos forem substantivos!

Veja mais exemplos:
  • Aguarde no final/fim da fila, senhor.
  • O aluno fez anotações no final/fim do caderno.
  • Muita emoção no final/fim do jogo.
  • É muito bom relaxar no final/fim do dia.

Ocorre que em algumas situações a palavra final é adjetivo – sim, ela pode ser adjetivo e substantivo. Eis alguns casos:
  • A chamada final ocorrerá amanhã.
  • O atleta tem como meta final ganhar o campeonato.
  • Ele foi classificado para a fase final do concurso.
  • Grande cartada final!

Por também ser um adjetivo, o termo pode levar a um raciocínio equivocado de algumas pessoas ao pensarem que final deve ser empregado sempre que seu antônimo for inicial e que a palavra fim deve ser usada quando o contrário for início.

Assim acreditam que é correto apenas fim de semana (início de semana), fim do dia (início do dia), fim das férias (início das férias), fim do filme (início do filme)... e argumentam que não teria lógica a substituição por final de semana (inicial de semana), final do dia (inicial do dia), final das férias (inicial das férias), final do filme (inicial do filme).

Certamente essa simples troca não faz sentido, entretanto o equívoco de quem pensa daquela forma ocorre porque inicial é antônimo do adjetivo final. Do adjetivo, não do substantivo! E nos casos acima, todos os fins e finais são substantivos, não cabendo tal analogia.

Diante disso, e em suma, caro leitor, você pode usar fim ou final quando os termos forem substantivos.

Até a próxima.


quinta-feira, 30 de junho de 2016

Tocha olímpica em Foz: aqui se respeita a natureza; as pessoas, nem tanto...

Está tudo pronto para a passagem da chama olímpica por Foz do Iguaçu. Hoje e amanhã, a cidade viverá intensamente o clima pré-Olimpíada. Pelas ruas e pontos turísticos, muita movimentação, sirenes e luzes do comboio de veículos oficiais, de patrocinadores, de apoio, de batedores e escolta da polícia, além de 102 pessoas escolhidas para carregar a tocha.

Receber o símbolo do maior evento esportivo do planeta e explorar as imagens e fotografias dele, principalmente nos atrativos turísticos locais tão singulares, são oportunidades valiosas para promover ainda mais a cidade. Será uma festa bonita e animada, sem dúvida.

Aqui em Foz, acredita-se, não matarão nenhuma onça-pintada – até porque esse animal é o símbolo do Parque Nacional do Iguaçu e foco de estudo e conservação por meio do Projeto Carnívoros.

Via de regra, a natureza é respeitada por representar uma riqueza da região trinacional, embora existam casos de tráfico de animais, caça, maus-tratos... Durante a permanência da chama na Tríplice Fronteira, muitas cenas belíssimas junto ao meio ambiente serão registradas e percorrerão o mundo.

Mas nem tudo serão flores por ocasião da passagem da tocha por aqui. O clima de festa e empolgação, parece-me, não tomará conta de toda a cidade. Inclusive há quem “nem esteja aí com isso”. Tudo bem, afinal o espírito olímpico deve estar presente diretamente entre atletas, organizadores, voluntários, enfim, pessoas com alguma participação no evento. E também em quem aprecia o universo esportivo e/ou sabe a importância da presença do fogo em Foz.

Entretanto não é só pela falta de participação direta ou de sensibilidade que o evento deixará de ter importância para muitas pessoas. Para algumas até trará transtornos. E não se trata apenas da interrupção no trânsito durante o desfile do comboio pelas ruas no dia 30 nem no deslocamento dele em direção aos pontos turísticos no dia seguinte. Por determinação de sua diretoria, o Hospital Municipal Padre Germano Lauck suspendeu as cirurgias eletivas.

Considerada referência em tratamentos de urgência e emergência, a unidade estará em alerta caso ocorra algum incidente. Na verdade já está, pois as operações foram interrompidas no dia 25 e voltarão a ser realizadas no dia 2 de julho. Com isso uma grande parcela da população que depende do hospital – e espera muito tempo para ser operada – terá de aguardar mais tempo.

Mas por que pressa, afinal se trata de cirurgias eletivas, aquelas não urgentes. Quem não morreu até agora não morrerá até a retomada delas. Saúde é algo que pode aguardar a efemeridade de uma comemoração pré-olímpica. E como Foz não tem outras unidades capazes de prestar apoio médico diante de alguma necessidade, o jeito é paralisar parte do funcionamento do hospital municipal. Parabéns aos gestores. E um viva à passagem da tocha!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Chevrolet lidera entre os mais vendidos em janeiro

O cenário automotivo brasileiro começou o ano da mesma forma que se encerrou em 2015, ou seja, com a liderança da norte-americana Chevrolet. A marca da gravatinha liderou entre os veículos mais vendidos com o Onix, que em janeiro teve 12.952 unidades emplacadas. Isso deu a ele 37,01% de participação entre os hatches pequenos. Outro dado significativo é que o automóvel fechou o mês em primeiro lugar de vendas em 19 estados brasileiros.

O domínio da Chevrolet se repete entre os sedãs pequenos. Em janeiro, o Prisma registrou 5.467 emplacamentos, aparecendo no topo de seu segmento, com 24,82% do mercado, e em quarto lugar na lista geral dos mais comercializados. Somados os carros de outras categorias, a montadora vendeu 25.084 unidades e deteve 19,11% do mercado automotivo nacional, fechando o primeiro mês do ano também como líder.

Ao longo de 2015, o Onix vendeu 125.931 unidades, sendo o campeão de vendas no Brasil, e o Prisma ficou em décimo lugar, com 70.336 carros emplacados. Eles são basicamente o mesmo veículo. A maior diferença está, naturalmente, nas dimensões e na capacidade do porta-malas.

E o que teria feito os modelos dominarem o ranking de vendas? Certamente a combinação de vários fatores, entre os quais o design atraente, bom espaço interno, moderna central multimídia, amplitude de versões e completa lista de equipamentos de série desde o modelo mais básico.

Outro diferencial do Onix é ser o veículo com a menor desvalorização no Brasil após o primeiro ano de uso, tendo recebido em 2015, pela segunda vez consecutiva, o Prêmio Maior Valor de Revenda, da Agência Autoinforme. O índice de depreciação do carro ficou em -7,6%. Seu irmão Prisma apareceu em terceiro entre os sedãs pequenos, com -10,2%.

Mesmo com a liderança nos dois segmentos, a Chevrolet deve lançar, no segundo semestre deste ano, a versão reestilizada de ambos. As mudanças devem concentrar-se no desenho da dianteira, traseira, lanternas e faróis. Será incorporado à linha o motor de três cilindros 1.0. A modernização tem a proposta de subi-los de patamar, para a categoria premium

É provável que esse facelift provoque aumento no preço dos veículos e se reflita na colocação deles entre os mais vendidos, mas se ambos mantiverem os números de venda no patamar dos últimos meses, pode ser que abram margem suficiente para terminarem o ano como os campeões de 2016.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

De goleador a goleado

Ele entrou em campo querendo reassumir o posto ocupado durante 27 anos seguidos, perdido em 2014 para o Fiat Palio, por apenas 385 unidades. Entretanto o que se viu foi uma queda ainda maior nas vendas. Acostumado a golear os adversários, o Gol terminou 2015 levando uma verdadeira goleada dos rivais.

O hatch da Volks fechou o ano na sexta posição entre os automóveis mais vendidos, com 82.746 unidades, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). O grande campeão de vendas foi o Chevrolet Onix, que somou 125.931 emplacamentos, contra 122.364 do segundo colocado, o Fiat Palio. Em terceiro ficou o Hyundai HB20, com uma boa vantagem para o Fiat Strada – 110.396 a 98.631. Em quinto apareceu o Ford Ka, com 90.187 veículos emplacados – 7.441 a mais que o Gol.

A lista dos dez mais vendidos de 2015 é formada ainda por VW Fox, em sétimo lugar, com 79.590 unidades; Fiat Uno, 79.461; Renault Sandero, 78.174; e Chevrolet Prisma, 70.336. Portanto, fica claro que, entre os automóveis de seu segmento, o Gol esteve à frente apenas do francês.

Próxima geração

Para tentar reverter esse resultado, a Volks trabalha para lançar a próxima geração do seu hatch mais famoso. O carro terá um desenho mais refinado e esportivo, que remeterá ao luxuoso Golf. O interior será aprimorado; e a lista de equipamentos na versão de entrada, ampliada.

Não se sabe ao certo se esse novo Gol chegará ao mercado nacional em 2017 ou 2018. Por enquanto, a montadora resolveu “dar um tapa” no visual do atual modelo ainda neste ano. O automóvel terá alterações na frente (grade, para-choque e faróis) e na traseira (lanternas e para-choque), inspiradas no Polo alemão.

A versão mais básica deve receber ar-condicionado e direção hidráulica, itens já presentes em alguns concorrentes. Os motores devem ser o 1.0 de 12V (de três cilindros e 82 cv) e o 1.6 de 16V (120 cv).

Será que essas mudanças serão suficientes para fazer o antigo goleador recuperar o espaço perdido? Vale lembrar que seus concorrentes não estão acomodados. O HB20, por exemplo, foi atualizado em setembro de 2015 – o mesmo devendo ocorrer com o Onix ainda em 2016.

O moderno e bem equipado Ka deve consolidar-se entre os cinco mais vendidos. A incógnita é o Palio, cujo projeto é o mais antigo entre os principais hatches do mercado. De campeão em 2014 para vice em 2015, sem previsão de atualização em 2016, qual será a colocação dele no fim do ano? Alguém arrisca um palpite?

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Simulador de direção não é videogame

Os Centros de Formação de Condutores de quase todo o Brasil (CFCs) estão em polvorosa neste fim de ano, pois têm até o dia 31 de dezembro para passar a oferecer aos alunos os simuladores de direção. A obrigatoriedade de contar com o equipamento é uma determinação do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) a partir de solicitações dos Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans).

A maior chiadeira é porque os simuladores custam mais de R$ 40 mil – e claro que as autoescolas não querem investir esse valor na aquisição. O principal argumento é que os equipamentos não servirão para qualificar os futuros condutores e vão encarecer o custo da CNH. Alguns representantes dessas empresas classificam os simuladores como videogames.

Mas será isso mesmo? Como é possível desacreditar antecipadamente na eficiência dos equipamentos sem haver de fato uma experiência? Como compará-los a simples jogos eletrônicos se eles possuem um painel com os mesmos instrumentos e acessórios dos veículos reais, além de câmbio e pedais? Apenas por que apresentam uma tela no lugar do para-brisa e exibem uma realidade virtual?

Vale lembrar que pilotos de automobilismo e de avião, por exemplo, utilizam essas ferramentas de treinamento. Por que para eles é válido e não seria para candidatos a motorista?

Além de darem o primeiro contato para muitas pessoas que nunca se sentaram ao volante de um automóvel, os simuladores também não poderiam contribuir nos casos das pessoas que têm medo inicial de enfrentar as ruas?

Informação

É importante ressaltar que os softwares ainda funcionam como instrumentos de informação, uma vez que acusam as infrações cometidas e as punições previstas no Código de Trânsito Brasileiro. E simulam uma série de situações com as quais o futuro condutor irá deparar-se um dia nas vias públicas e que pode não encontrar durante as aulas práticas nos veículos reais.

A posição contrária do empresariado e representantes de CFCs é compreensível, afinal o investimento é caro. Eles têm a opção de alugar ou comprar os simuladores, porém, como empresas, querem sempre aumentar os ganhos e diminuir os custos. É a lógica capitalista.

A resolução

A Resolução 543 do Contran, de 15 de julho de 2015, é válida inicialmente para quem pretende tirar carteira B ou adicionar/mudar de categoria. Ela não vem para substituir a necessidade de aulas práticas, e sim para dar o primeiro contato do aluno com um veículo, ainda que simulado, antes de ele começar a aprendizagem na rua. Trata-se de um recurso a mais na sua formação.

Estabelece, por exemplo, que seja cumprida a carga horária mínima de 25 horas-aula, das quais 20 em carro de aprendizagem, sendo quatro noturnas, e cinco no simulador, uma em noite simulada. Isso para a categoria B. A norma é perfeita? Evidentemente, não. Um ponto falho, entendo, é permitir que as 20 horas-aula noturnas em via pública sejam substituídas, opcionalmente, pelas ministradas no equipamento eletrônico, desde que uma seja na rua à noite.

Concordo com os instrutores e donos de autoescolas que a formação real é insubstituível, entretanto vejo na simulada uma importante ferramenta de colaboração no período pré-aulas práticas. Para conduzir um veículo é necessário estar bem formado, educado, conscientizado, seja durante a aprendizagem ou após, tanto para novatos quanto para motoristas experientes.

Segundo o presidente do Contran, Alberto Angerami, nos estados do Rio Grande do Sul, Alagoas, Acre e Paraíba, onde os simuladores já são usados, o índice de acidentes diminuiu. Se de fato isso ocorrerá no restante do país, só o tempo mostrará. Mas torço para que o equipamento ajude a formar motoristas melhores.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Nem de táxi nem de bike; de táxi-bike

Você está andando de bicicleta pela cidade e, de repente, um pneu fura. Não há uma borracharia por perto, tampouco carrega os acessórios para fazer o conserto. Ou então você se cansa e resolve retornar para casa de táxi, mas não tem como acomodar a magrela no veículo. O que fazer nessas (ou em outras) situações? Caso esteja em Curitiba, uma opção é chamar um táxi-bike.
Nunca ouviu falar? Bem, é algo novo mesmo. O serviço de táxi-bike passou a ser oferecido na capital do estado no início de outubro. Trata-se, por enquanto, de 60 veículos que adaptaram um suporte no teto para transportar bicicletas. É uma ideia simples, a qual se soma às outras inovações em mobilidade urbana já implementadas em Curitiba. E tem tudo para dar certo.
Inicialmente são 60 veículos adaptados para levar as bikes - Foto: Valdecir Galor/SMCS
Coincidência ou não, o primeiro taxista a adaptar o suporte, Eugênio Custódio de Mello, há 37 anos na profissão, transportou o primeiro cliente. No momento em que saía da oficina, uma pessoa que acabara de comprar a magrela solicitou uma corrida.

Julio Abelardino também aderiu ao táxi-bike e, além de um serviço a mais para a população, vê uma forma de incentivar a prática de atividade física. Ele acredita que, ao sair para pedalar, o ciclista pode optar por voltar para casa confortavelmente de carro após fazer o exercício.
Jardim Botânico
É possível encontrar táxis-bike, por exemplo, no Jardim Botânico, que também ganhou um ponto de parada. Um dos principais atrativos turísticos da cidade, agora o local conta, na entrada, com uma área específica para os profissionais, logo atrás das vagas de estacionamento dos ônibus da Linha Turismo.
Sistema adotado na capital é diferente de alguns no país e no exterior - Foto: Valdecir Galor/SMCS
Curitiba tem 3.002 táxis e 1.988 vagas em pontos de parada. Entre 2014 e 2015 foram abertas 143 vagas, e a Secretaria Municipal de Trânsito estuda abrir mais 46.
Outros modelos
O serviço curitibano não chega a ser uma novidade, mas sim a forma como foi viabilizado. Em São Paulo, uma empresa está patrocinando a instalação de raques na traseira dos táxis, como é feito em carros de passeio. Já em Salvador circulam os velotáxis, ou seja, triciclos adaptados para levar passageiros. Porém, nesse caso, são bicicletas com uma estrutura própria para transportar pessoas, a exemplo da existente em alguns outros países.

domingo, 27 de setembro de 2015

Curitiba a 40 km/h na chamada Área Calma

Apesar de dividir opiniões entre motoristas, a implantação da Área Calma em um determinado perímetro urbano da capital paranaense tem um objetivo bem definido: proteger o pedestre – o sujeito mais frágil no trânsito de qualquer cidade, especialmente das maiores, onde o tráfego é mais intenso e os acidentes são recorrentes.

Estudos internacionais comprovam que a chance de ocorrer uma morte por atropelamento a 40 km/h é de apenas 20%. A 50 km/h, o índice salta para 50%. Já a 60 km/h, chega a 80%. Com base nesses números e na estatística de acidentes de trânsito entre 2012 e 2014, o poder público municipal resolveu criar a chamada Área Calma, na qual os veículos devem trafegar a 40 km/h.

Delimitada pela Rua Inácio Lustosa, Rua Visconde de Nacar, Rua André de Barros, Rua Mariano Torres, Rua Luiz Leão e Avenida João Gualberto, a Área Calma está tendo sua sinalização readequada e ganhando rampas de acessibilidade para aprimorar o deslocamento de pessoas com mobilidade reduzida. Em relação à fiscalização, é feita por agentes de trânsito e por radares fixos e móveis.

O perímetro também receberá um plano de manejo e plantio de árvores, com a finalidade de melhorar a qualidade do ar na região, que já concentra espaços verdes como as praças Tiradentes, Rui Barbosa, Osório, Carlos Gomes e Santos Andrade, além do Passeio Público.

Pela Região Central da capital do estado circulam todos os dias, em média, 700 mil pedestres. É isso mesmo, somente a quantidade de pessoas a pé é maior que a população inteira de Londrina, a segunda cidade mais populosa do Paraná, com 548 mil moradores, segundo o IBGE.

De 2012 a 2014 foram registradas 1.173 ocorrências no centro de Curitiba, com 106 mortes – a maioria por atropelamento (46) e por colisão de veículos (41). Então, além de dar mais segurança a pedestres e ciclistas, bem como a motociclistas e condutores de veículos, o projeto visa a harmonizar a convivência no trânsito.

Todos são pedestres

É ponto pacífico que, se nem todos os pedestres são motoristas, todos os motoristas são, em algum momento, pedestres. Portanto deveriam concordar com a implantação dos 40 km/h. Mas quando se está atrás do volante, muitos parecem considerar apenas o seu lado.

Alguns argumentam que em um trânsito intenso, travado em determinados horários, reduzir a velocidade poderia piorar a situação. Entretanto, como é possível piorar se em alguns trechos a quantidade de carros impede a circulação acima da velocidade estabelecida na Área Calma?

A intenção é diminuir o ritmo de tráfego nos períodos do dia em que ele normalmente flui melhor, pois é quando os motoristas imprudentes abusam da velocidade.

Curitiba é um dos municípios brasileiros participantes do Vida no Trânsito, projeto internacional desenvolvido em dez países e coordenado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e Bloomberg Philanthropies. 

A iniciativa, lançada em 2010, faz parte do movimento Road Safety in 10 Countries (RS 10) e tem a proposta de reduzir as mortes nas vias públicas em 50% até 2020. Dessa forma, seja onde for, nada mais justo que, entre outras medidas, reduzir a velocidade de tráfego.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Trincheira concluída. Até que enfim! E agora?

Depois de dois anos e quatro meses foi, enfim, entregue a trincheira na Avenida Paraná, sob a BR-277, ligando o centro e a Vila A. Desde meados de agosto, os motoristas não precisam mais esperar uma eternidade, muito menos arriscar-se, para cruzar a rodovia, como ocorreu por anos.

A obra terminou, e o resultado ficou muito bom, com duas pistas novinhas em ambos os sentidos, sinalização adequada, trânsito fluindo bem e com segurança. Ótimo! Viva! Maravilha! Calma..., não há motivo para tanta empolgação. Se por um lado a trincheira facilitou a vida da população, por outro a benfeitoria vai ser paga também – e como sempre – pelo povo, em especial os usuários da BR-277. E todos eles, independentemente se moradores ou não da cidade.

Como assim? Com o acréscimo de 0,48% sobre o índice do próximo reajuste no preço do pedágio. Ou seja, até quem não utiliza a trincheira vai desembolsar a mais na correção anual para amortizar o investimento da Ecocataratas.

Esse foi o acordo que o governo estadual fez com a concessionária que explora a 277 entre Foz e Guarapuava, para que ela assumisse o trabalho. Inicialmente era outra a empresa responsável pela construção, mas o contrato acabou rescindido depois de a obra ficar embargada por oito meses por falta de segurança aos trabalhadores.

Sobrepreço

Contudo o atraso no término dos trabalhos não gerou apenas transtornos aos motoristas em outros pontos da cidade, com engarrafamentos e acidentes na Avenida JK, no trevo de entrada de Foz na BR-277 e nas imediações desses locais. Provocou também um absurdo sobrepreço de 57,5% no valor original da trincheira. Orçada em R$ 8 milhões, custou R$ 12,6 milhões!

Dessa forma, pelo preço de uma, quase poderiam ter sido construídas duas trincheiras – ou alguma obra de engenharia que desse mais segurança a quem chega à cidade ou acessa a 277 em direção ao CTG Charrua vindo da Costa e Silva. Afinal, pela intensidade de veículos ali, chega a ser, no mínimo, ridículo um cruzamento como aquele. 

E para completar o disparate, no ato da inauguração da obra, foram colocadas placas “Viaduto Governador José Richa” nas laterais da pista da BR-277 sobre a trincheira. Isto é, construíram uma coisa e inauguraram outra. É cômico – tão quanto a denominação escolhida para o local, nitidamente para agradar ao ego do atual governador, filho do homenageado.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

As supermáquinas do “Caçador de Marajás”

Fim dos anos 80. O país se prepara para a primeira eleição presidencial direta após a ditadura militar. Apoiado pela mídia, desponta para o Brasil o governador de Alagoas, Fernando Collor de Mello. Por manter um discurso enérgico de combate à corrupção e travar uma briga contra funcionários públicos alagoanos que recebem altos salários, passa a ser chamado de “Caçador de Marajás”.

Com a imagem valorizada pelo marketing e pela imprensa, principalmente pelos meios de comunicação que temiam a vitória de Lula, é eleito presidente da República em 1989. Sua gestão é marcada por fatos inesquecíveis, como o confisco da poupança e a renúncia em 1992. Mas não apenas por isso, afinal Collor adorava ser notícia em aventuras como jogging com tênis importados, aulas de caratê e passeio em avião de caça da Força Aérea Brasileira.

Também ganha evidência pela abertura econômica, a qual permite a importação de centenas de produtos, entre eles automóveis. E não poderia ser diferente, pois ainda durante a campanha eleitoral afirma que os carros brasileiros da época “pareciam carroças” se comparados aos estrangeiros. Nisso ele tinha razão, já que os modelos eram bastante espartanos. A partir daí, importados passam a ser vistos nas ruas e, gradualmente, as montadoras começam a sofisticar os veículos aqui produzidos.

Passam-se 23 anos. Nesse tempo, a indústria automobilística nacional cresce, moderniza-se e lança centenas de modelos – alguns inclusive referência para o mercado internacional. Apesar do enorme salto de qualidade, o país não acompanha os mercados estrangeiros, especialmente o europeu e o norte-americano. Embora existam carros de luxo capazes de atender às necessidades dos consumidores brasileiros, eles parecem ainda não ser capazes de satisfazer o hoje senador Fernando Collor.

Os superesportivos

Terça-feira, 14 de julho de 2015. Uma das principais notícias do dia: Polícia Federal apreende um Lamborghini Aventador LP 700-4 Roadster, um Porsche Panamera S e uma Ferrari 458 Italia na Casa da Dinda, residência de Collor em Brasília. Motivo: o parlamentar é investigado na Operação Politeia – fase da Operação Lava Jato que apura suposto envolvimento de políticos na corrupção praticada na Petrobras. Somados, os valores dessas supermáquinas chegam a R$ 5 milhões.

Quem diria, depois de voltar à política, novamente o “Caçador de Marajás” se vê envolvo em denúncias de corrupção. Além disso, vale ressaltar que os superesportivos apreendidos acumulariam dívidas atrasadas. A Ferrari teria R$ 86 mil em débitos de IPVA não quitado; o Lamborghini, R$ 250 mil. Ambos estão registrados em nome de uma empresa da qual o parlamentar é sócio. O Porsche, emplacado em Alagoas, sequer foi totalmente pago ao antigo proprietário. O empresário Luiz Gustavo Malta Araújo alega que vendeu o veículo para a TV Gazeta, da qual Collor é sócio, mas ainda não recebeu R$ 300 mil dos R$ 550 mil acertados pela venda.

A frota de luxo é ainda maior

Não bastasse a ostentação de ter na garagem um Lamborghini, uma Ferrari e um Porsche, o senador possui outros 13 importados, declarados à Justiça Eleitoral em 2014, que totalizam mais R$ 3 milhões aproximadamente. Na coleção, ainda há: Ferrari Scaglietti, Mercedes E320, Cadillac SRX, BMW 760IA, Toyota Land Cruiser, Citroën C6, Land Rover, Hyundai Vera Cruz, Honda Accord, Kia Carnival, Volkswagen Gol 1.6 Rallye e duas Toyotas Hilux. Sem dúvida, uma frota que só um magnata pode comprar e manter!

Irônico e patético que um político alçado à condição de “Caçador de Marajás” viva como um deles e tenha os bens milionários apreendidos numa investigação da Polícia Federal.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Prudência em primeiro lugar

O acidente que resultou na morte do cantor Cristiano Araújo e de sua namorada, Allana Moraes, teve grande repercussão nacional e comoveu milhares de pessoas, principalmente os fãs do músico e familiares das vítimas. Até quem não o conhecia, porém é sensível à dor alheia provocada por acontecimentos inesperados e impactantes, sentiu a gravidade de tal fato.

Ao mesmo tempo em que choca, um sinistro como esse também serve – ou deveria servir – para as pessoas refletirem sobre os cuidados necessários para evitar um acidente e preservar a vida. No caso em questão, apesar de ainda estar sendo investigado, já são conhecidos três fatores que podem ter contribuído e comprovam como a imprudência e a negligência de motoristas e passageiros agravam as consequências de qualquer acidente.

Segundo noticiado amplamente pela imprensa – e confirmado pelas autoridades que tratam do caso –, tanto o cantor quanto sua namorada estavam no banco de trás do veículo e não usavam o cinto de segurança. Como o carro capotou, ambos se chocaram contra o interior do automóvel e foram lançados para fora dele. Já os ocupantes dos bancos dianteiros, que usavam o equipamento, sobreviveram e não tiveram lesões físicas graves.

Esse fato é uma prova inconteste de que o cinto anemiza as consequências de um acidente e, principalmente, salva a vida dos ocupantes de um carro acidentado. Isso já foi comprovado também em testes de impacto promovidos por institutos que avaliam a segurança automotiva. Portanto, seja em longas viagens ou em deslocamentos curtos, nas estradas ou nas cidades, o equipamento deve ser sempre utilizado por todos – todos mesmo, incluindo os passageiros do banco de trás, pois ainda é muito comum a não utilização nele.

Excesso de velocidade

Em depoimento à polícia, o motorista admitiu que conduzia o veículo acima do limite de 110 km/h, embora não tenha determinado a velocidade exata. De qualquer forma, comprova-se que as estatísticas não mentem: transitar acima do limite permitido para as vias é uma das principais causas de sinistros e de óbitos. Algo até óbvio, afinal quanto mais rápido, mais difícil o controle e pior a consequência de uma batida. Porém nem essa obviedade toda nem os números parecem ser capazes de fazer os condutores aliviarem o pé.

Manutenção veicular

Tão importante quanto a forma de conduzir o veículo é fazer a manutenção preventiva dele e adotar os cuidados necessários para uma rodagem mais segura. No caso do acidente que vitimou Cristiano Araújo e Allana Moraes, não cabe dizer que a falta de manutenção pode ter contribuído, pois o Range Rover tinha apenas dois meses de uso.

Entretanto, como apontam os peritos da Polícia Civil e até mesmo funcionários de um lava a jato que higienizaram o carro antes da viagem, uma das rodas apresentava alguns pontos de solda e um deles estaria solto. O conjunto não era o original de fábrica. O próprio motorista disse à polícia que antes do acidente ouviu um barulho e imaginou ser de um pneu estourado. Também revelou que os pneus eram de segunda mão, mas estariam em boas condições.

Então, o estado precário de uma roda pode ter sido a razão do sinistro. Se isso ficar comprovado no fim das investigações, reforçará o que todo dono de veículo deveria saber: as condições de conservação do meio de transporte, seja ele qual for, são imprescindíveis para a segurança e não podem ser menosprezadas.

Não digo que o cantor foi negligente, tampouco o motorista – o qual teria sido avisado pelo dono do lava a jato sobre a falha na roda. Apenas quero ressaltar ser fundamental manter plena a situação de rodagem veicular.