segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

“Mim” não faz nada, portanto não conjuga verbo


A dica de hoje visa a corrigir um erro mais comum na linguagem oral, que é exatamente o uso do pronome oblíquo mim antes de verbos no infinitivo.

Quem nunca ouviu alguém dizer algo como: “Não deu pra mim fazer o trabalho”. Ou: “Ele pediu pra mim entregar as fotos pra você”. Seja qual for a ação, nunca se deve empregar o pronome mim antes do infinitivo, pois ele não conjuga verbos.

Veja a aplicação correta desse oblíquo:

• Durante a viagem, pediram para eu ser o fotógrafo oficial.

• Meu pai disse para eu lavar o carro dele.

Outros usos do oblíquo, sem que ele conjugue verbos:

• Pra mim, ganhar ou perder aquela partida não importava; bacana foi disputar o amistoso.

• Todos cantaram parabéns pra mim na festa.

• A garota não dá bola pra mim.

Mas atenção:

O pronome oblíquo mim deve ser utilizado, obrigatoriamente, após preposições. 

Observe os exemplos:

• Entre mim e você não há nada além de amizade.

Jamais diga ou escreva “entre eu e você”.

• Os colegas falavam sobre mim e ti.

• As pessoas se voltaram contra mim e ela.

Por hoje é isso. Até a próxima.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Não, o ano não começa depois do carnaval


Nesta manhã ouvi alguém dizer: “Bom, o ano começa só depois do carnaval”. Imediatamente pensei: “Pra quem? Só se for pra você”. Esse pensamento me é recorrente sempre que presencio aquela frase, totalmente descabida de verdade, porém permeada na sociedade.

Este ano o carnaval será em 8 de março, ou seja, no 67º dia de 2011. Mesmo havendo nove meses pela frente, seria possível desconsiderar o período produtivo até aquele feriado?

No meu modo de pensar, não. O fato de muitas pessoas tirarem férias em janeiro e fevereiro, assim como as instituições de ensino, não pode sobrepor o valor do trabalho, da produção de quem iniciou o batente após a virada de ano.

A indústria parou a sua produção? Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário ainda estão em recesso? Lojas, supermercados, prestadores de serviço, enfim, estabelecimentos e órgãos de diversos segmentos encontram-se em férias coletivas? Ou, por acaso, eles trabalham em ritmo lento, a passos de tartaruga? Definitivamente não!

Diante disso, só posso acreditar que quem realmente vê o começo do ano depois do carnaval está equivocado, não observa o movimento de pessoas e carros nas ruas, os hospitais lotados, os bancos cheios, e todo o cotidiano de uma cidade. Não imagino o que esperam as pessoas para as quais 2011 terá início efetivo após 8 de março. Você saberia me dizer, caro leitor?

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Novos tempos na Assembleia Legislativa do Paraná?


O ano legislativo começou esta semana no estado. No dia 1º, tomaram posse os 54 parlamentares; no dia 2, os novos diretores da Casa.

Além dos novos ocupantes da Assembleia, o prédio abriga policiais militares, encarregados da segurança, a pedido do presidente, Valdir Rossoni, que teria sido ameaçado.

Outra novidade foi o fechamento da gráfica, que até o ano passado imprimia as publicações oficiais da Casa, inclusive os seus Diários Oficiais — alvos de investigação pela RPCTV e Gazeta do Povo. O trabalho, exemplar e premiado, resultou na descoberta e ampla divulgação de atos secretos criminosos, lesivos ao povo paranaense.

Agora, com a nova Mesa Diretora, outros diretores e a entrada de novos deputados, duas perguntas são inevitáveis: 

1)    Essas mudanças serão o bastante para moralizar o Poder Legislativo, após o recente escândalo que afetou a sua imagem?
2)    Além de fazer leis e fiscalizar o Poder Executivo, os parlamentares estarão mais atentos ao funcionamento da Casa?
As respostas serão dadas ao longo da atual legislatura. E para obtê-las, a sociedade — bem como a imprensa — deve acompanhar o andamento dos trabalhos; deve cobrar dos deputados a conduta correta em todos os seus atos; deve denunciar a existência de esquemas ilegais caso tenha conhecimento.

O desvio de verbas, a existência de funcionários fantasmas, a presença de uma quadrilha na direção da Casa serviram para mostrar a necessidade de envolvimento social na política. Os paranaenses foram lesados, desrespeitados, engrupidos, e isso não pode ocorrer novamente, porém precisam tirar uma lição positiva da revelação dos crimes cometidos por anos e anos na Assembleia do estado.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Drama do transporte coletivo tem outro capítulo

O dia de ontem foi, mais uma vez, complicado para a população de Foz usuária do transporte coletivo. Muitas pessoas ficaram a ver navios, à deriva nos pontos à espera dos ônibus que não passaram, a não ser nos horários de pico.

Dessa vez os coletivos deixaram de circular na maior parte dos horários em protesto à escala de trabalho adotada pelas empresas, após a implantação do novo sistema de transporte. Segundo os trabalhadores, a carga horária de seis horas diárias foi dividida em duas horas pela manhã, duas à tarde e duas à noite.

Além de deixar motoristas e cobradores em função do trabalho ao longo do dia todo, essa famigerada escala prejudica aqueles que estudam, têm outras atividades e compromissos. Isso já tinha sido denunciado pelo Sindicato dos Rodoviários de Foz, e divulgado nos meios de comunicação da cidade — pelo menos nos isentos, sem profundos e imorais vínculos com empresários do setor e com a prefeitura. 

Desde o início das mudanças, no dia 14 de janeiro, a insatisfação tomou conta de passageiros e profissionais do setor. E com razão, afinal, da noite para o dia, foram retiradas linhas, implantadas outras, alterados itinerários e horários, colocados ônibus — apesar de novos — menores, inclusive muitos micro-ônibus, que dispensam cobradores e obrigam os motoristas acumularem funções.

Não obstante a falta de informação, outras falhas apareceram rapidamente, e até o momento não foram totalmente corrigidas pelo Foztrans — autarquia municipal de trânsito — tampouco pelas empresas que formam o Consórcio Sorriso. Sorriso? Que ironia, o nome só reflete a satisfação dos empresários, que não precisaram participar de licitação para continuar explorando — e mal — o serviço na cidade.

O transporte coletivo em Foz sempre foi ruim e desrespeitoso com os usuários. E mais, a obscuridade começou há 15 anos, conforme revela o Centro de Direitos Humanos e Memória Popular, em manifesto divulgado segunda-feira. O texto retrata bem como o poder público local sempre conduziu esse serviço, essencial para a população. Vale a leitura, que pode ser feita no site www.megafone.inf.br.

Essa questão precisa ser resolvida o quanto antes, e o correto seria o envolvimento de autoridades — alheias à administração municipal — e da sociedade para fiscalizar o setor e colaborar na solução desse impasse, que parece não ter fim.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Afinal, a presidente ou a presidenta?

A eleição de Dilma Rousseff para a Presidência da República suscitou uma dúvida em relação à forma como o substantivo deve ser usado.

Na mídia, alguns veículos utilizam a presidente; outros, a presidenta. Mas qual é a opção correta?

Se você escolheu a primeira, acertou. Se optou pela segunda, também! É isso mesmo, ambas estão certas, e por dois motivos:

1º) Presidente é um substantivo de dois gêneros, masculino e feminino, portanto são válidas as formas “o presidente” e “a presidente”.

2º) Presidenta é uma variação feminina de presidente, perfeitamente aceita e divulgada em bons dicionários.

Veja os exemplos:

• A presidente/presidenta fará seu primeiro pronunciamento após as eleições.

• O Brasil entrou no rol dos países que têm uma mulher presidenta/presidente.

Então, ignore e-mails que circulam pela net dizendo que essa ou aquela forma está errada e não fique mais em dúvida quando ouvir ou ler na imprensa o substantivo presidente referindo-se a Dilma Rousseff ou a qualquer outra mulher chefe de uma nação.

É isso.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A culpa não é de São Pedro, é do poder público

A intensidade de chuvas neste início de ano provocou tragédias jamais vistas em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Mortos, feridos, desabrigados, desalojados, casas destruídas, ruas alagadas, enxurradas, encostas desmoronadas, buscas, socorro médico, tudo isso compõe um cenário de drama, indignação e solidariedade aos atingidos.

O caos vivido naqueles estados revela que o poder público — nas três esferas de governo — nunca investiu como deveria em infraestrutura pluvial e projetos habitacionais. A máxima de que obra embaixo da terra não dá votos é visível, tamanho o despreparo das ruas em comportar a água das chuvas.

Se as galerias pluviais fossem estruturadas com uma boa margem de segurança, ou seja, capazes de escoar mais que o dobro do que chove mensalmente em determinada cidade, e o número de bueiros fosse suficiente, casas e empresas não teriam sido invadidas.

Já os transbordamentos de rios e os desmoronamentos deixam evidente a omissão dos Executivos em elaborar projetos habitacionais populares. Sem poder alugar, muito menos comprar uma casa, resta para as famílias pobres habitarem margens de rios e morros.

O poder público permite a invasão de áreas de proteção ambiental e a construção de casas em encostas, demonstrando a falta de política social e habitacional direcionada à classe menos favorecida. Agora, depois de uma tragédia de imensa proporção, fala-se em emprestar dinheiro para remover as famílias daquelas áreas ou, pior, coloca-se a culpa em São Pedro — como fizeram o prefeito (democrata) e o governador (tucano) de São Paulo. Pura hipocrisia!

E a imprensa, por que não cobra dos mandatários a falta de obras bem-feitas e projetos habitacionais? Porque nunca cobrou e porque tem o rabo preso, especialmente os grandes veículos de comunicação paulistas — paladinos dos tucanos, no poder municipal e estadual há 16 anos.

O Brasil comprova que suas cidades não estão preparadas para evitar desastres naturais, especialmente por falta de vontade e de preocupação em dotá-las de infraestrutura adequada ao bem-estar do povo. Que essa tragédia sirva de exemplo à população, para cobrar condições dignas de moradia e evitar se estabelecer nas margens de córregos, poluir o meio ambiente, e viver em morros.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

As velhas muletas “a nível de” e “no sentido de”


Embora bastante desgastadas, ambas as expressões continuam sendo utilizadas na língua portuguesa. Consideradas muletas, são empregadas mais frequentemente na linguagem oral, como forma de apoio à fala. E o pior, há quem considere bonito ou sofisticado o uso delas.

Além de não recomendadas, podem ser perfeitamente substituídas, inclusive simplificando a frase. Certa vez, ouvi um médico dizer: “A contusão do atleta foi a nível de joelho.” Essa declaração me surpreendeu, tamanha a pretensão de sofisticar a sentença. Na realidade, o uso da expressão tornou a fala complexa. O profissional poderia ter deixado a linguagem rebuscada de lado e dito: “A contusão do atleta foi no joelho.”

O emprego estaria correto somente para fazer referência ao substantivo nível propriamente dito, e mesmo assim a expressão seria ao nível. Acompanhe:

• A cidade fica localizada ao nível do mar.

• O conhecimento repassado pelo professor está ao nível dos alunos.

Outra maneira de se expressar é utilizando em nível (de), porém somente como sinônimo de em âmbito, em abrangência. O ideal é escrever ou falar de forma diferente. Alguns exemplos:

1) A decisão do governo vale em nível (em âmbito) nacional.

A frase poderia ser:

• A decisão do governo vale em todo o Brasil.

2) O plano é desenvolvido em nível de município.

• O plano é desenvolvido no município.

Mais um caso de equívoco aparece na seguinte construção: “Nosso esforço é no sentido de fazer uma sociedade mais justa.” Veja, leitor, como essa oração ficaria mais simples e concisa se a muleta tivesse sido substituída pela preposição para:

• Nosso esforço é para fazer uma sociedade mais justa.

Então, prefira trocar no sentido de por para, com o objetivo de, com o intuito de, com a finalidade de, com vistas a. Em resumo, esqueça as muletas gramaticais, simplifique a oração com o uso de palavras mais simples e adequadas ao contexto da frase.