terça-feira, 4 de outubro de 2011

Disputa-se a melhor colocação ou a medalha mais valiosa

Parece óbvio que em qualquer disputa, esportiva ou não, pessoas ou equipes busquem sempre o melhor resultado. Mas, algumas vezes, já li textos equivocados e escutei colegas da imprensa (rádio e TV) cometerem erros a esse respeito.

Em mais de uma oportunidade me deparei com frases como: “A disputa do terceiro e do quarto lugar será amanhã”. Ou ainda: “As medalhas de ouro e de prata serão decididas hoje”. Talvez, numa leitura rápida, as pessoas não percebam o problema em tais sentenças.

O título deste texto não deixa dúvidas: as disputas são sempre pela melhor colocação e pela medalha mais valiosa. Por exemplo, na final de uma luta de judô, os adversários visam à medalha de ouro; não à de prata. Essa é uma consequência da derrota, embora também tenha seu valor.

Da mesma forma, equipes ou atletas eliminados numa fase semifinal “brigam” pelo terceiro lugar, não por esse e pelo quarto — afinal a única medalha em disputa, se for esse o prêmio, é a de bronze.

Portanto, mesmo sendo uma questão simples, é necessário prestar atenção para evitar esse equívoco, principalmente porque a apressada rotina jornalística dá margem para essa e outras confusões.

Até mais.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Sem a colaboração de todos, a violência no trânsito não diminuirá

A Semana Nacional do Trânsito deste ano tem como tema: “Juntos Podemos Salvar Milhões”. Até o próximo domingo (25), Ministério das Cidades, Denatran e órgãos federais e estaduais realizam uma série de ações com vistas à conscientização sobre o respeito às regras de trânsito.

Entre as atividades está a veiculação de filmes publicitários, a divulgação de cartazes e fôlderes, o trabalho em mídia alternativa como busdoor, taxidoor, e ações em restaurantes, bares, casas noturnas, no Rock in Rio e nas redes sociais, além de blitze educativas.

O esforço, todos os anos, é para conscientizar as pessoas de que os acidentes ocorrem, principalmente, por falha humana. Ou seja, a conduta errada de motoristas e pedestres provoca mortes, sequelas à saúde, ferimentos e danos materiais.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que 1,3 milhão de pessoas morreram, em 178 países, no ano de 2009, em consequência de acidentes de trânsito. Diante dessa realidade, a ONU instituiu em 2010 a “Década Mundial de Ações para a Segurança no Trânsito, com a finalidade de reduzir em 50% as mortes no mundo até 2020.

Todas as campanhas e atitudes são válidas e necessárias, porém o mais importante é que cada pessoa entenda que ela é um possível agente causador de sinistros. As práticas cotidianas ao trafegar pelas vias, urbanas ou rurais, em veículos ou a pé, são preponderantes para um trânsito mais seguro.

Os motoristas sabem que álcool e direção não combinam, entretanto grande parte dos acidentes tem como agravante o consumo de bebidas alcoólicas. E por que isso ocorre? Porque eles bebem e não se veem como possíveis causadores de uma tragédia. Outros, mesmo conscientes de seu estado, arriscam dirigir.

Mas não é somente o consumo de álcool o principal fator gerador de acidentes. A irresponsabilidade, a pressa e o excesso de confiança são tão perigosos quanto trafegar sob o efeito de bebidas alcoólicas ou de drogas. Há vários exemplos de situações capazes de ocasionar sinistros. Entre eles:

Transitar acima da velocidade permitida;
Usar telefone celular ao dirigir;
Não guardar distância segura para o veículo da frente;
Furar o sinal vermelho;
Atravessar fora da faixa de pedestres...

Quem nunca flagrou, ou mesmo cometeu, alguma dessas infrações? Por isso, o segredo para mudar as estatísticas está dentro de cada um de nós. Devemos refletir e tomar atitudes seguras. Ter as leis sempre frescas na memória e colocá-las em prática contribuirão, certamente, para um trânsito mais humano, menos violento e fatal.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Bebidas alcoólicas e cigarros deveriam financiar a Saúde

Comprovadamente danosas, essas drogas poderiam ser sobretaxadas para custear a demanda do setor

Num momento em que o Congresso Nacional discute a necessidade de se criar um imposto, ou ressuscitar a famigerada CPMF, para financiar o aumento das despesas na saúde pública, por que não fazer com que as empresas de tabaco e de bebidas arquem com os investimentos extras, já que seus efeitos só fazem mal à sociedade? 

O fumo e o álcool provocam doenças, mortes, problemas sociais e obrigam o governo federal gastar milhões por ano para tratar os dependentes e adoentados. Então seria muito justo sobretaxar aqueles produtos, de modo a arrecadar os recursos para oferecer saúde pública de qualidade aos brasileiros e não fazê-los pagar mais tributos. 

O cigarro e bebida viciam e matam, entretanto são drogas autorizadas para o consumo. A venda delas gera lucros exorbitantes às fábricas, na maior parte multinacionais. Ou seja, no mundo inteiro esses produtos nada mais geram que males às pessoas e divisas para governos e fabricantes. 

Essa é a indústria da morte. E os números comprovam isso. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 200 mil brasileiros morrem por ano em decorrência do fumo. Cada cigarro contém 4.700 substâncias tóxicas, que causam cânceres, enfisema, problemas respiratórios, entre outras doenças. A OMS estima que cinco milhões de pessoas faleçam no mundo, por ano, devido ao tabagismo. 

Em relação ao consumo de álcool, a OMS aponta a morte de 2,5 milhões de indivíduos no planeta, a cada ano, por alguma das aproximadamente 60 doenças e ferimentos ocasionados pela droga. Isso sem contar os milhares de óbitos em acidentes de trânsito e em desentendimentos pessoais — consequências diretas do consumo abusivo de bebidas alcoólicas. 

Governo estuda 
a possibilidade 

Recentemente o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, apresentou a sugestão de um pacote que prevê a sobretaxação de cigarros e bebidas. Porém quer incluir o aumento no valor do DPVAT, seguro-obrigatório pago anualmente pelos proprietários de veículos automotores. 

Estaria também incluída a utilização do dinheiro dos royalties do pré-sal, bem como a elevação dos impostos aos bancos e a quem remete dinheiro ao exterior. Cobrar mais dos banqueiros é algo que deveria ocorrer no país há muito tempo, afinal todas as instituições bancárias faturam bilhões por ano com as dezenas de taxas pagas pelos correntistas. 

A mesma prática tributária poderia valer para as fortunas. Quem tem mais pode pagar mais! Contudo, acreditar que isso venha a ocorrer algum dia é utópico, pois os bancos e os ricos continuam a dar as cartas no território tupiniquim.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Na faixa de pedestres, a preferência é deles!


O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) é muito claro no artigo 70, ao determinar a preferência dos pedestres em relação aos veículos, nas faixas destinadas ao cruzamento de vias públicas, quando não houver semáforo. E mais, se existir sinaleiro, os automóveis devem esperar caso alguma pessoa ainda não tenha terminado de atravessar após o sinal ficar verde.

É isso o que estabelece o CTB, porém na prática a regra raramente é obedecida. Basta observar quanto tempo os pedestres permanecem às margens das ruas tentando cruzá-las, até que algum motorista mais bem formado pare ou até o fluxo de carros diminuir, permitindo a passagem.

Em muitos países, há um dispositivo de mudança de sinal junto às faixas de travessia, que as pessoas acionam quando pretendem passar. O mesmo deveria existir no Brasil! Mas enquanto esse sistema não é implantado, se é que algum dia será, a conscientização e, infelizmente, as multas são as melhores formas de educar os motoristas.

Ações educativas poderiam ser desenvolvidas nas cidades brasileiras — a exemplo de campanhas pelos meios de comunicação, panfletagem nos semáforos, presença de agentes de trânsito em algumas ruas com faixa de pedestre, fazendo os veículos darem preferência a quem trafega a pé. Enfim, havendo vontade, é possível mudar a realidade.

Educar os condutores sobre o respeito ao pedestre principalmente nas vias com faixa de segurança, mas sem semáforo, é fundamental também para evitar atrito entre eles.

Já observei, muitas vezes, motoristas buzinando, dando sinal de luz, e até mesmo ofendendo outros que dão passagem às pessoas. Isso quando não ocorrem colisões porque quem vem atrás não guarda distância segura em relação ao carro da frente. Pura ignorância!

Em São Paulo, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) começou a fiscalizar mais intensamente essa infração, no centro da cidade, no dia 8 de agosto. Durante uma semana foram registradas 2.270 autuações.

Vale lembrar que o CTB classifica como infração gravíssima — com sete pontos na carteira e multa de R$ 191,53 — não dar passagem ao pedestre na faixa ou não esperá-lo concluir a travessia. E grave — cinco pontos e multa de R$ 127,69 — não respeitar o transeunte nas conversões.

A conscientização deve abranger ainda os pedestres, para que cruzem as vias públicas somente pela faixa, existindo sinaleiro ou não, pois os acidentes ocorrem também devido à imprudência de quem trafega a pé.

No trânsito, a atenção e o respeito de todos são essenciais para evitar sinistros, dos quais podem resultar mortes, sequelas ou tão-somente danos materiais.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Vereadores desistem do aumento de cadeiras na Câmara; mas por quê?

Um dia antes da audiência pública para discutir o aumento de 15 para 21 cadeiras no Legislativo iguaçuense, o vereador Hermógenes de Oliveira (PMDB) decidiu pedir a retirada da emenda ampliando em seis o número de colegas na Casa.

O peemedebista se reuniu com os outros cinco vereadores que apoiavam sua proposta — Nilton Bobato (PC do B), Carlos Juliano Budel (PSDB), Edson Narizão (DEM), Sérgio Beltrame (PMDB) e Paulo Rubio (PDT) —, e todos assinaram um requerimento, aprovado por unanimidade, desistindo da ideia.

O clamor popular foi a justificativa para desistir do projeto. E a opinião da comunidade ficou bem clara no abaixo-assinado proposto pela Associação Comercial e Industrial de Foz, subseção local da Ordem dos Advogados do Brasil, e Convention Bureau que reuniu mais de nove mil assinaturas — total suficiente para mover uma ação de iniciativa popular contra o aumento de vagas.

A desistência dos vereadores na véspera da audiência mostra que eles fugiram da discussão. Um tema desses certamente acirraria os ânimos no plenário da Casa. Embora a Constituição permita a uma cidade com o número de habitantes de Foz ter até 21 cadeiras no Legislativo, a enquete na página da ACIFI revela que 86% dos participantes são favoráveis à redução para nove, número mínimo previsto na Constituição.

Vale lembrar que 2012 é ano eleitoral, então não dá para deixar de ver na retirada da proposta uma jogada política com a finalidade de evitar um desgaste maior dos seis vereadores, já pensando numa tentativa de reeleição no próximo ano.

A desaprovação dos iguaçuenses ao aumento de vereadores demonstra a necessidade de debate antes de qualquer proposta polêmica. Os representantes do povo têm o dever de saber o que a população anseia e apresentar projetos em benefício dela.

Hermógenes, Bobato, Budel, Narizão, Beltrame e Paulo Rúbio perceberam, diante da enorme repercussão negativa, que o povo é capaz de defender seus interesses, especialmente quando incentivado.

Mas Hermógenes está certo quando diz que o apoio da ACIFI, OAB, demais entidades de classe e de representação popular é importante também em outros casos, como a duplicação da BR-277, a construção de viadutos nos trevos de acesso a Foz, e no papel de fiscalizar o Executivo.

A sociedade precisa organizar-se e lutar pelos seus interesses sempre. Só assim conquistará os benefícios que a união pode garantir. Iniciativas isoladas, além de não terem a mesma força, podem induzir ao pensamento de que só há mobilização em casos específicos, os quais atendam a anseios de determinados segmentos da cidade.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Vassalos garantem a vitória patronal em negociação da CCT

Categoria foi derrotada por ela mesma, ao aceitar esmola de patrões
Nove meses de luta em prol da nossa desunida classe terminaram ontem à noite, após a maioria dos jornalistas do Paraná ter concordado com a proposta patronal para o fechamento da Convenção Coletiva 2010/2011.
Em assembleias nas cidades de Curitiba, Ponta Grossa, Foz do Iguaçu e Cascavel, 110 colegas optaram por aceitar o ridículo aumento real de 0,32% -- ou R$ 6,55 -- nos salários. Outros 75 mantiveram a dignidade e recusaram a gorjeta patronal.
É lamentável que depois de 14 anos só recebendo a reposição inflacionária, a mais intensa batalha encampada pela categoria tenha sido sepultada pela fraqueza, temor e vassalagem de quem se posicionou em favor dos patrões, contra a própria classe.
Aos profissionais que tentaram prosseguir em busca de algo melhor, meu respeito -- em especial aos daqui de Foz do Iguaçu e de Cascavel. Nessas cidades, os jornalistas sabem muito bem o seu valor e mostraram não temer as ameaças de represália do empresariado, vencendo nas urnas.
Aqui na fronteira, 18 pessoas votaram não à proposta dos patrões, contra apenas três que a aceitaram. Em Cascavel, 11 ficaram ao lado da categoria; e sete, contra. Na capital do estado, 91 colegas se posicionaram pró-aumento de 0,32%; 46, contra. E em Ponta Grossa, a maior decepção: nove a zero para a oferta empresarial.
Consequências
Essa derrota, embora legítima porque expressou a opinião da maioria, certamente dificultará as próximas negociações. Vale lembrar que a próxima data-base já é em outubro. Ou seja, nem bem foi fechada a CCT, as conversas entre os sindicatos vão reiniciar.
E qual a consequência? Mais tentativas patronais de achatar a categoria, como ocorre em todo o começo de negociação. Fortalecidos pela vitória, os empresários visarão, a todo custo, a tirar direitos adquiridos dos jornalistas, como a carga horária de cinco horas, o piso salarial e as horas extras de 100%.
Aos que aceitaram o aumento (ir)real R$ 6,55 no salário, bom proveito dessa migalha. Mas saibam que, a partir de agora, um reajuste digno, capaz de compensar as perdas de 14 anos, ficará impossível de se conseguir.
E outro detalhe: a diferença salarial destes nove meses de negociação provavelmente será parcelada, ou alguém acredita que os patrões vão pagar à vista sabendo que seus vassalos aceitam qualquer esmola?
A nós que mantivemos a dignidade é difícil se conformar, porém não podemos desistir da luta, pois se isso acontecer contribuiremos ainda mais para desestruturar a profissão e sofreremos golpes piores e irreversíveis.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Tome cuidado com o pleonasmo vicioso

Descer para baixo, subir para cima, entrar para dentro, sair para fora... Se você já escutou ou leu algumas dessas expressões, presenciou um vício de linguagem conhecido como pleonasmo vicioso; ou seja, a repetição desnecessária de algum termo ou ideia na frase, uma redundância.
Os exemplos acima são clássicos, de fácil identificação, mas a lista é bem maior - por isso o pleonasmo ocorre muitas vezes sem que as pessoas percebam. Confira alguns casos desse vício:
  • Os corajosos encaram os problemas de frente.
  • Meus tios conviveram juntos por 20 anos, antes da separação.
  • Por que gritar tão alto?
  • O prefeito municipal vai inaugurar a escola amanhã.
Eis uma lista com mais exemplos de pleonasmo vicioso:

Há anos atrás
Pequenos detalhes
Conclusão final
Maluco da cabeça
Hemorragia de sangue
Acabamento final
Amanhecer o dia
Surpresa inesperada
Certeza absoluta
Elo de ligação
Encarar de frente
Dupla de dois
Verdade verdadeira
Olhar com os olhos
Isto é um fato real
Voltar de novo
Repetir mais uma vez
Plebiscito popular
Restaurar o velho
Inaugurar novo
Amigo pessoal
Duas metades
Consenso geral
Habitat natural
Ganhar grátis
Labaredas de fogo
Erário público
Seu critério pessoal
Abusar demais
Prefeito municipal
Multidão de pessoas
Estreia pela primeira vez
Gritar alto
Subir para cima
Descer para baixo
Entrar para dentro
Sair para fora
Pessoa humana
Unanimidade de todos
Última versão definitiva

terça-feira, 28 de junho de 2011

Jornal volta a defender demissão de cobradores do transporte coletivo

Argumento, agora, é que manutenção desses trabalhadores aumentaria valor da passagem
Quinze dias após posicionar-se, no editorial, favorável à dispensa dos cobradores nos ônibus do transporte coletivo em Foz, a Gazeta do Iguaçu volta a insistir na demissão desses profissionais. Na edição desta terça-feira, alega, na página B3: “A manutenção dos cobradores no sistema de transporte público da cidade incide diretamente no preço final da passagem”.
A afirmação, extremamente apelativa, teria o objetivo de colocar a população contra a categoria? Vale lembrar que dezenas de fatores influenciam na tarifa, não apenas a presença daqueles trabalhadores no quadro das empresas.
Se o leitor não tem conhecimento, o diário pertence ao senhor Erminio Gatti — também proprietário da Viação Itaipu, integrante do Consórcio Sorriso (sorriso?), que explora o transporte público municipal.
Mais uma vez, quem prestou o desserviço à população e atacou centenas de profissionais não se identifica, assinando o texto como “Da Redação”. E, pior, sem nenhum embasamento, afirma na linha fina da matéria: “Enquanto na maioria das cidades brasileiras atividade de cobrador já foi abolida em Foz questão ainda gera discussão” (sic).
Esse argumento aparece mais duas vezes, porém sem dados nem fala de alguém que o ratifique. Segundo o IBGE, existem 5.565 municípios no Brasil. Então, como pode o jornal sustentar que em pelo menos 2.783 cidades os cobradores foram extintos dos ônibus?
Uma fonte, que pediu para não ser identificada, pois certamente sofreria represálias, revelou a este jornalista que uma forma gradual de diminuir o número de cobradores — e já ocorreria na prática — é passá-los para o lugar de alguns motoristas, que, já aposentados, continuariam a trabalhar.
Se isso estiver acontecendo, ainda assim dezenas de cobradores ficariam desempregados, pois não há estrutura nas empresas para absorvê-los em outros setores, que já contam com seus profissionais. Portanto, o diário iguaçuense demonstra não se preocupar com o desemprego e as consequências dele para muitas famílias.
O proprietário da Gazeta do Iguaçu e da Viação Itaipu, por meio de asseclas no jornal, revela à sociedade seu interesse real: faturar mais, nem que isso sobrecarregue os motoristas — como já ocorre nos micro-ônibus — e aumente o tempo da viagem ao longo do itinerário. Então, pode-se inferir sua preocupação com o lucro, em detrimento de um bom serviço aos usuários e do bem-estar de cobradores e seus dependentes.
Esse é o retrato da imprensa escrita de Foz do Iguaçu, refém de somente um diário — representante dos interesses econômicos de seu proprietário e atrelado politicamente ao governo municipal.
Não é assim que se faz jornalismo sério, profissional, com ética, isenção, pluralidade de fontes, confronto de informações...
Foz do Iguaçu merece um jornal comprometido com os leitores, que cumpra o papel social da imprensa.
É bom deixar claro que nenhum meio de comunicação é 100% isento, afinal interesses capitalistas e políticos predominam nessa área, mas isso não dá a ninguém o direito de pressionar pelo fim de uma categoria profissional por razões particulares.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Travessuras de um governador tucano

Em apenas seis meses de governo, Beto Richa já deu algumas temerosas demonstrações do seu “jeito novo” de administrar o Paraná. Uma delas foi o pedido de censura ao Blog do Esmael (http://esmaelmorais.com.br/), que ficou fora do ar por 75 dias e retornou na última terça-feira (21).
Em pleno ano 2011, o tucano revelou seu lado ditatorial, pois numa sociedade democrática não cabem atitudes típicas de um período que felizmente ficou para trás — e faz tempo, acabou em 1985. Se Beto se sentiu ofendido pelo jornalista Esmael Morais, deveria ter recorrido à Justiça em busca de reparação por alguma ofensa contra a honra. Esse é um direito de qualquer cidadão brasileiro, amparado pela Constituição de 1988.
Valer-se da censura significa intolerância a críticas, característica inaceitável nos homens públicos, principalmente políticos. Essa estratégia de tentar calar quem e o que incomoda já foi vista durante a campanha eleitoral de 2010, pois quem não se lembra do pedido tucano para a não-divulgação de uma pesquisa poucos dias antes das eleições?
O pior é que alguns juízes aceitam a censura, porém, pelo bem da sociedade, outros cancelam liminares antidemocráticas. A função da Justiça é aplicar as leis — elaboradas pelo Poder Legislativo. Portanto, ao mandar tirar do ar um blog, como ocorreu dia 9 de abril no Paraná, o Judiciário ignorou o direito constitucional da livre manifestação do pensamento.
Revanchismo político
Beto Richa também já mostrou outra característica de seu perfil: a incoerência, traduzida num ato de revanchismo político, com o cancelamento da aposentadoria de três ex-governadores peemedebistas (Mário Pereira, Roberto Requião e Orlando Pessuti). Sobrou até para Jaime Lerner, seu aliado político.
O argumento do tucano é que as aposentadorias canceladas seriam inconstitucionais. Podem até ser, então por que não unir legalidade e moralidade, poupando os cofres públicos dos gastos com o pagamento a todos os ex-chefes do Executivo? Isso não seria uma medida coerente e justa com os contribuintes do estado?
Quatro ex-governadores perderam o benefício, entretanto outros cinco, mais três ex-primeiras-damas, continuam recebendo — inclusive Arlete Richa, mãe de Beto e viúva de José Richa. O estado economiza R$ 96 mil por mês, mas paga R$ 192 mil. Esse é um exemplo claro de que a isonomia não existe em suas atitudes e de que a questão é, sim, política.
Nepotismo
A incoerência ainda é demonstrada pelo tucano com a nomeação de sua mulher, Fernanda Richa, e de seu irmão “Pepe”, José Richa Filho, para as recém-criadas Secretarias da Família e Desenvolvimento Social e de Infraestrutura e Logística. Beto não criticava Requião pelo nepotismo? Então, ao empregar os parentes, revela a demagogia em seu discurso.
E mais, assim como faz todo chefe de Executivo que recebe o governo de um adversário, ele constantemente alega ter assumido o Paraná endividado, contudo sua reforma administrativa, além de beneficiar o irmão e a esposa, gerou uma despesa anual extra de R$ 8,6 milhões para pagar mais 295 ocupantes de cargos comissionados. Então qual é o sentido de tanto chororô sobre as dívidas estaduais?
Privatização
Não bastassem todas essas traquinagens, a maior ainda está por vir e é bem própria de uma política neoliberal: a entrega do patrimônio público à iniciativa privada. O primeiro passo foi dado no dia 2 de maio, quando o governador encaminhou à Assembleia Legislativa o Projeto de Lei Complementar Nº 361/2011.
No que consiste esse PC? Na tentativa de alterar a Lei Complementar 94, de 2002, que criou a Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Infraestrutura do Paraná. O objetivo é agregar às funções da agência a regulação nas áreas de energia, saneamento, e tecnologia e informática.
Perceba, caro leitor, serviços públicos delegados, ou seja, repassados a empresas particulares. E o que querem os peessedebistas com essa mudança? Iniciar a tentativa de privatização da Copel, Sanepar e Celepar, pois as agências reguladoras existem, também, para fiscalizar a execução de serviços públicos e atividades econômicas de interesse público prestados pela iniciativa privada.
Esse filme de terror já foi assistido pela população durante o governo, também neoliberal, de Jaime Lerner — que implantou o pedágio no estado, vendeu o Banestado, entregou o comando da Sanepar a um grupo francês, e tentou privatizar a Copel.
Os paranaenses não podem ser lesados novamente. Para isso é necessário acompanhar a tramitação do PC 361 e suas negociações na Assembleia. E a imprensa deve — esse é o termo — exercer o seu papel social de informar as medidas do poder público, principalmente as que podem contrariar o interesse da sociedade.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Jornal de Foz usa exemplo de SP para defender extinção de cobradores

O único diário de Foz do Iguaçu deixa claro, no editorial desta segunda-feira, o seu posicionamento pelo fim da função de cobrador no transporte coletivo. A extinção seria uma forma de reduzir os custos das empresas, podendo gerar economia também aos passageiros.

Para sustentar sua posição, o jornal iguaçuense usa a realidade de São Paulo, onde um acordo entre sindicatos estaria prevendo o remanejamento dos cobradores para outras funções e até o adicional de R$ 250 para os motoristas cobrarem as passagens.

Mas por que um jornal de Foz do Iguaçu defenderia o fim de uma categoria de trabalhadores? O motivo é simples, caro leitor: o dono do diário também é proprietário de uma das empresas que exploram o transporte coletivo na cidade! Portanto, usa — e sempre usou — as páginas do periódico para defender, exclusivamente, o interesse empresarial.

Desde a implantação do sistema de catraca eletrônica, teme-se pela demissão dos cobradores. No fim do ano passado, uma malsucedida reformulação no setor deu sinais de que isso poderia concretizar-se, pois vários micro-ônibus foram incorporados à frota do Consórcio Sorriso (sorriso de quem?), que explora o transporte municipal.

Vale ressaltar que esses pequenos coletivos não contam com a figura do cobrador, provocando o acúmulo de função aos motoristas. Esse duplo trabalho tem como uma consequência o eventual atraso dos ônibus. No início do ano, os profissionais realizaram uma manifestação contra esse e outros pontos da alteração no sistema, com o irrestrito apoio do sindicato da categoria.

Qual é o papel da imprensa?

A imprensa deve mostrar a realidade e defender o interesse social, sempre pautada pela ética — que tem na imparcialidade o seu preceito fundamental. Mas isso passa longe do diário iguaçuense, cuja posição é sempre favorável às empresas do transporte coletivo.

Um dos exemplos desse posicionamento ficou claro no fim do ano passado, quando a população e os profissionais estavam totalmente insatisfeitos com as mudanças efetuadas no sistema. As manifestações, os protestos, a realidade da época foram ignorados pelo jornal, que só ouviu o povo uma vez: quando os ônibus deixaram de circular numa manhã.

O periódico usou, parcialmente, os usuários para criticar a paralisação dos trabalhadores. Entretanto, o mesmo espaço foi negado para mostrar a insatisfação geral dos passageiros com a mudança efetuada pela prefeitura, beneficiando as empresas e gerando transtornos à população naquele momento.

E hoje, no editorial, vê-se nitidamente a pressão empresarial pela precarização do sistema, sob o argumento de que o exemplo de São Paulo “pode servir de lição para Foz do Iguaçu”. Ainda segundo o texto, “o sistema é integrado e quase todo automatizado por meio do uso do cartão, o que praticamente anularia a função do cobrador”.

Para tentar disfarçar seu pensamento, o editorialista chega a sugerir uma readequação dos profissionais, isto é, que os cobradores sejam remanejados para outras funções — o mesmo argumento usado em São Paulo. 

Aqui entre nós, amigo leitor, você acredita que centenas deles teriam espaço — em outras funções — nas empresas, as quais já contam com mecânicos, manobristas, motoristas e outros trabalhadores em seus quadros? Se elas realmente quisessem manter os cobradores empregados, por que os tirariam de sua atividade-fim?