quarta-feira, 8 de junho de 2011

Não se deixe contaminar pelo gerundismo


No texto de hoje estarei explicando por que estar evitando o uso indevido do gerúndio, o chamado gerundismo. Que tal, caro leitor, você apreciou a frase anterior? Ela lhe parece familiar?

Certamente quem já conversou com um teleatendente ouviu o gerúndio ser empregado após alguma forma verbal de ‘estar’. O excesso dessa “fórmula” (verbo estar + gerúndio) até virou motivo de gozação, porém contaminou a sociedade, sendo frequente fora do universo do telemarketing. E aí está o problema.

A linguagem oral e escrita deve ser concisa e simples para passar a mensagem mais claramente. Só por essa razão o gerundismo deve ser esquecido, pois dá à sentença um rebuscamento desnecessário. E mais, quem tenta rebuscar a linguagem dessa forma consegue o efeito contrário, porque ela “dói” nos ouvidos. 

Mais um motivo para evitar o uso do ‘estar’ (ou alguma variante) seguido de outro verbo no gerúndio é que esse tipo de construção enfraquece a frase, como se não houvesse a garantia do êxito de uma ação. Veja alguns exemplos:

• Estará havendo uma reunião amanhã. 

• A ligação vai estar sendo transferida.

Note que se a utilização do gerundismo coloca em dúvida tanto a realização da reunião quanto o sucesso da transferência da ligação. Isso não ocorreria se as frases fossem as seguintes:

• Vai haver uma reunião amanhã.

• Haverá uma reunião amanhã.

• A ligação será transferida.

Mesmo que não haja a reunião ou que a ligação não seja transferida por algum motivo, as sentenças acima dão mais certeza ao ouvinte ou leitor.

É bom destacar que a crítica ao gerundismo não condena o uso do gerúndio. Ele pode ser utilizado, desde que não em excesso.

É isso. Até breve.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Acerte na prosódia, ou acentuação, das palavras


Algumas palavras da língua portuguesa causam dúvida sobre a sua correta acentuação, podendo levar ao cometimento de erros na grafia ou na pronúncia (ortoépia, tema do texto anterior).

Na gramática, a prosódia é a parte da fonética que trata da acentuação dos vocábulos. Ao saber acentuar alguns termos mais duvidosos, diminui-se a chance de errar ao escrevê-los e vocalizá-los.

É bom lembrar que a acentuação não se limita à colocação dos sinais de agudo e circunflexo, mas também abrange a sílaba tônica não acentuada. Por isso pode-se dizer que a prosódia engloba a ortoépia.

O equívoco de acentuação (prosódia) consiste em transformar uma palavra paroxítona (sílaba tônica é a penúltima) em oxítona (sílaba tônica é a última), uma proparoxítona (sílaba tônica é a antepenúltima) em paroxítona, ou uma proparoxítona em oxítona.
Abaixo, alguns termos que podem causar dúvida de prosódia, relacionados de acordo com a correta acentuação tônica:

• Oxítonas: cateter, condor, hangar, mister, Nobel, novel, recém, refém, ruim, sutil, ureter...

• Paroxítonas: avaro, avito, barbárie, caracteres, cartomancia, ciclope, erudito, ibero, gratuito, ônix, poliglota, pudico, rubrica, tulipa...

• Proparoxítonas: aeródromo, alcoólatra, álibi, âmago, antídoto, elétrodo, lêvedo, protótipo, quadrúmano, vermífugo, zéfiro...

Mesmo com essa divisão, algumas palavras admitem variação de prosódia, como: acrobata e acrobata; crisântemo e crisântemo; Oceânia e Oceania; ortoépia e ortoepia; projétil e projétil; réptil e reptil; xérox e xerox...

Outras têm significados diferentes, conforme a acentuação: valido e válido; vivido e vívido...

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Ortoépia, a forma certa de pronunciar as palavras

Tempos atrás escrevi sobre a pronúncia correta da palavra recorde (paroxítona, portanto com a penúltima sílaba tônica e sem acento), erroneamente pronunciada “récorde” por muitas pessoas, inclusive jornalistas.
O colega Osni Gomes sugeriu um texto específico sobre o tema ortoépia, ou ortoepia, que se trata da arte de pronunciar corretamente os vocábulos. Aqui está, Osni, e obrigado pela sugestão!
Um dos termos pronunciados de forma incorreta com muita frequência é “Nóbel”, em alusão ao prêmio que leva o nome do sueco Alfred Nobel, inventor da dinamite. A vocalização certa é “Nobél”, mesmo não havendo o acento agudo.
O vocábulo é uma oxítona, em que a sílaba tônica é a última. Minha dica é lembrar-se de Noel, pois assim se evita a pronúncia errada.
Outra palavra pronunciada equivocadamente é “íbero” — sinônimo de ibérico (referente aos países da América Latina, mais Portugal, Espanha e Andorra). Pronuncie “ibéro”, porém escreva sem acento.
Mas a ortoépia também abrange a nasalização incorreta de vogais, isto é, a inclusão indevida da letra ene (n) em alguns termos. Por exemplo: “mendingo”, em vez de mendigo; “sombrancelha”, no lugar de sobrancelha; “buginganga” ou “bungingaga”, em vez de bugiganga.
A troca de posição de fonemas é outro erro. Já vi algumas palavras escritas ou pronunciadas equivocadamente, a exemplo de “metereologia” (e não meteorologia) e “mulçumano” (muçulmano).
No rol dos erros de pronúncia está a substituição de fonemas. Note que o correto é poleiro, não “puleiro”; bueiro, não “boeiro”; disenteria, não “desenteria ou “desinteria”.
Acrescentar letras em vocábulos configura equívoco: “estreiar”, “freiada”, “azuleijo”... Da mesma forma, deixar de colocar fonemas: “corre”, no lugar de correr; “saí”, em vez de sair; “revindicar”, em vez de reivindicar.
É isso. No próximo texto vou explicar a prosódia, que é a correta acentuação das palavras, e também provoca dúvidas.

sábado, 21 de maio de 2011

Em seis anos na Ferrari, o que Felipe Massa provou?

Para muitos brasileiros, após a morte de Ayrton Senna, em 1994, a Fórmula 1 deixou de ser interessante. Para outros, a esperança da conquista de títulos recaiu sobre Rubens Barrichello e, mais tarde, Felipe Massa.

Mas a torcida, desde aquele fatídico 1º de maio, quando o tricampeão se foi, tem sido em vão. A “responsabilidade” de repetir os feitos de Senna foi transferida a Barrichello, piloto da Ferrari entre 2000 e 2006. 

Na melhor equipe, os fãs da modalidade acreditaram que o Brasil teria mais um campeão. Entretanto as expectativas não se concretizaram, afinal, na escuderia italiana, também estava Michael Schumacher. 

A combinação melhor carro/melhor piloto e o posto de número 1 no time fizeram o alemão marcar seu nome na história como o maior vencedor e detentor dos mais importantes recordes nas pistas, frustrando as expectativas brasileiras. 

Mesmo preterido na Ferrari, Rubinho mostrou a sua competência, conquistando dois vice-campeonatos, nove vitórias, 25 segundos lugares, 21 terceiros lugares, além de poles e voltas mais rápidas. Assim, contribuiu muito para os cinco títulos de construtores da equipe italiana naqueles anos.

No entanto, o trabalho duro dele não foi reconhecido pelos brasileiros, que só queriam saber de títulos, e o piloto passou a ser alvo de muitas gozações e críticas. Mas a qualidade de Barrichello nunca deixou de ser reconhecida no mundo da Fórmula 1, tanto que ele detém o recorde de GPs disputados na história da categoria — mais de 300, desde 1993.

"Era Massa"

Em 2006, com o fim do contrato de Rubinho, a equipe italiana contratou outro brasileiro: Felipe Massa. As atenções e expectativas se concentraram no promissor e jovem piloto, também companheiro de Schumacher.

No ano seguinte, o alemão deixou as pistas, fazendo os brasileiros pensarem que Massa ocuparia um lugar de destaque no rol dos campeões. Contudo, ele não correspondeu — e ainda não corresponde — às expectativas dos torcedores. 

A diferença entre ele e Rubinho é que Massa não é foco de gozações e injustiças. Na competência, o primeiro está muito à frente. E os resultados falam por si. Vale lembrar que nos últimos seis anos, o atual piloto da Ferrari — não tendo a concorrência direta e a preferência de Schumacher na equipe — também não chegou ao título mundial.

Com o equilíbrio restabelecido após a saída do heptacampeão, tanto em talento quanto na competitividade entre as três principais escuderias (Ferrari, McLaren e RBR), Felipe tem se mostrado o pior dos seis pilotos — à exceção de 2008, quando terminou em segundo lugar o campeonato.

É verdade que 2009 foi marcado por um grave acidente, porém nas temporadas anteriores “a esperança brasileira” foi superada pelo companheiro Kimi Räikkönen, em 2007, e pelos rivais Lewis Hamilton, em 2008, Jason Button, em 2009, e Sebastian Vettel, em 2010. E neste ano, após quatro GPs, Massa ocupa a sexta posição, com apenas 24 pontos.

Neste domingo será disputado o Grande Prêmio da Espanha, e ele largará em oitavo, atrás inclusive do russo novato Vitaly Petrov, da Renault, e do alemão Nico Rosberg, da Mercedes. Aos fãs, resta conferir seu desempenho, mas, recomendo, sem manter a esperança de um bom resultado, para evitar mais uma decepção no fim da prova.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Você sabe colocar pronomes em locuções verbais?


Depois de dois textos sobre próclise, mesóclise e ênclise, o tema desta postagem é colocação pronominal em locuções verbais. 

Antes das explicações é necessário lembrar que locução verbal é formada por verbo auxiliar + verbo no infinitivo, no gerúndio ou no particípio.

Apesar de o nome ser complicado, as regras são simples. Vamos a elas:

1)    Verbo auxiliar + verbo no particípio: o pronome deve ser colocado depois do auxiliar. Veja:

• Tinha-o feito mal, por isso o garoto temia aquela babá.

• Foi-lhe dito que reprovaria se não estudasse.

Havendo palavra atrativa, o pronome precede o verbo auxiliar.

• Não o tinha feito mal, por isso o garoto não temia a babá.

• Nunca lhe foi dito que reprovaria se não estudasse.

2)   Verbo auxiliar + verbo no gerúndio ou no infinitivo: o pronome aparecerá após o verbo auxiliar ou após o principal; tanto faz.

• O detetive estava o filmando, como pediu a sua cliente.

• O detetive estava filmando-o, como pediu a sua cliente.

• Você precisa se conformar com o resultado.

• Você precisa conformar-se com o resultado.

Atenção: se houver alguma palavra atrativa, o pronome será empregado antes do auxiliar ou depois do principal.

• Sempre lhe quis contar a verdade, mas tinha medo.

• Sempre quis contar-lhe a verdade, mas tinha medo.

Mas nunca entre os dois verbos: “sempre quis lhe contar...”

• Quem o acabou convencendo a viajar?

• Quem acabou convencendo-o a viajar?

E não: “quem acabou o convencendo...”
 
É isso. Com este texto se encerra a série sobre colocação pronominal. Até breve!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Colocação pronominal, parte II — mesóclise e ênclise


Além da próclise, tratada na primeira parte do tema, a colocação pronominal também abrange a mesóclise e a ênclise. A primeira, menos usual; a segunda, mais fácil de memorizar. Vamos a elas:

Mesóclise ocorre quando o pronome aparece no meio do verbo. Mas atenção, só no futuro do presente (algo que vai acontecer: comprarei, viajarás, sairá, emprestaremos, correrão) e no futuro do pretérito (algo que deixou de acontecer: devolveria, beijaríamos, assumiriam).

• Comprar-lhe-ei muitas joias.

• Se você permitisse, seu colega beijar-te-ia.

Entretanto, se houver uma palavra atrativa, ocorrerá a próclise.

• Não vos emprestarei os meus novos CDs.

• Quem se assumiria responsável pelo crime?

Ênclise é a forma de mais fácil memorização e aplicação. Aparece em quatro casos:

1)   No início de frase ou após pausa:

• Convidaram-na para sair, mas ela recusou.
E não: “A convidaram”...

• Pelo bom desempenho nas competições, convocaram-nos para a seleção principal.
Nunca: Pelo bom desempenho nas competições, “nos convocaram”...

2)   Com o verbo no infinitivo impessoal:
Infinitivo impessoal é a forma natural do verbo, não relacionada a nenhuma pessoa.

• É recomendável contar-lhe tudo, para evitar mais problemas.
Não caberia: “lhe contar”.

• O candidato procurou preparar-se com as melhores apostilas.
Também estaria errado: “se preparar”.

3)   Com verbo no imperativo:
Imperativo é o modo que imita ordem, pedido, conselho, sugestão, proposta.

• Levante-se mais cedo, para não perder a hora.

• Se continuar fumando, vai sofrer as consequências, mais cedo ou mais tarde. Então preocupe-se!

• Faça-nos um favor, fique em silêncio!

4)   Com verbo no gerúndio:
• O adolescente, ofendendo-nos assim, prejudicará mais a sua situação.

• Entregando-a ainda hoje, qual o prazo de entrega?

Mas se o gerúndio vier antecedido de palavra atrativa ou de preposição, também deverá ser usada a próclise.

• Ninguém está me compreendendo direito.

• É muita falsidade aquele recado o chamando de querido. 

• Catarina gosta de romance, em se tratando de filme.

O próximo texto abordará a colocação pronominal em locuções verbais. Até breve.