terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O pedágio subiu. Qual a novidade?

Todo o ano, no início de dezembro, é a mesma coisa: os paranaenses são “presenteados” com aumento no valor do pedágio. Não tem escapatória, pois o reajuste anual está previsto no contrato de concessão das rodovias.

O período não poderia ser melhor para as empresas que exploram o serviço, afinal aumenta muito o movimento nas estradas do Anel de Integração do estado. Consequentemente, o faturamento delas – bilionário ao longo do ano – se eleva, num verdadeiro atentado contra o bolso dos usuários.

Este ano o aumento foi de até 5,72% nas 27 praças das seis concessionárias instaladas no Paraná. Como sempre, o maior valor é praticado em direção ao litoral. Carros, caminhonetes e furgões passaram a pagar R$ 15,40. No Oeste, nas cinco praças entre Foz e Guarapuava exploradas pela mesma empresa, os valores variam de R$ 9 a R$ 11,80.

Com os novos valores, para atravessar o estado de Foz ao litoral pela BR-277, o motorista de carro de passeio passa por dez praças, tendo de desembolsar R$ 99,20. Se agregar à conta o retorno e o combustível, também reajustado no fim de novembro, o gasto com deslocamento totaliza uma soma significativa.

Transporte de cargas

Segundo a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), em média o pedágio equivale a 21,18% do frete de grãos. Mas o índice pode chegar a 30,75%. Uma carga que saia de Foz para Paranaguá pode pagar até R$ 680,84 em tarifas.

De acordo com a Ocepar, o pedágio impacta em até 8,5% o preço recebido pelo produtor de milho e em até 2,3% no caso da soja; onera em até 7,3% o custo de produção de milho e em até 4,3% o da soja; encarece em até 12,89% o valor do calcário e pode representar até 0,88% do valor do adubo no Paraná.
 
Relatório do TCU

Em 2012, o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER) reestabelecesse, em 360 dias, o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos relativos ao programa de concessão de rodovias.

Para o TCU, o quadro apresenta um desequilíbrio a favor das empresas. O Governo do Estado deveria rever os cálculos para que os motoristas pagassem por aquilo que as concessionárias oferecem. Porém nada foi feito, e a conta continua pesando em desfavor dos usuários!

Herança maldita

Vale lembrar que o pedágio foi implantado no Paraná em 1998, pelo então governador Jaime Lerner. Além de firmar um acordo que favorecia as empresas em detrimento do interesse público, nos últimos dias de governo foi feito um aditivo no contrato, desobrigando as concessionárias a duplicarem estradas e construírem viadutos e trincheiras, por exemplo.
 
Ou seja, elas não precisariam fazer obras de grande porte em benefício da segurança dos usuários. Isso explica por que a Ecocataratas sempre se negou a investir em obras nos trevos de acesso a Foz do Iguaçu, mesmo diante de graves acidentes e do clamor da sociedade.
 
Na realidade foi um grande presente do ex-governador para as concessionárias. Conforme divulgou a própria Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), entre 1998 e 2012 o pedágio rendeu às seis empresas que exploraram o serviço no Paraná o inacreditável montante de R$ 10,5 bilhões.
 
E as contrapartidas em investimentos de grande porte? Essas não chegaram nem perto da fantástica arrecadação – e nunca vão chegar, infelizmente!


terça-feira, 30 de julho de 2013

Detalhes que fazem a diferença

Está pensando em trocar de carro? Já tem na cabeça o modelo preferido e no bolso condições de adquirir a máquina tão desejada? Então não falta nada, certo? Errado! Falta um detalhe importantíssimo: o test-drive.

Não importa se o veículo é novo ou seminovo, não deixe a emoção influenciar nessa hora e fazer você levar para casa o bem sem experimentá-lo nas mesmas condições a que pretende submetê-lo diariamente.

Uma vez aprovado, agora sim é fechar negócio, não? Nada disso! Tão importante quanto testar o modelo dos sonhos é fazer o mesmo com os concorrentes, afinal você pode mudar de ideia ao compará-los.

Veículos da mesma categoria têm vários pontos em comum, porém apresentam algumas diferenças capazes de fazer a diferença na sua escolha. Só ao pesar os prós e os contras de cada um você terá a possibilidade de decidir racionalmente por aquele que lhe servirá durante alguns anos.

Não basta um design arrojado, um sistema de som de última tecnologia ou ser o mais bem equipado. Você tem de optar pelo carro que une o melhor conjunto de características ao prazer de dirigi-lo.

Compare qual oferece as melhores condições ergométricas, ou seja, bancos confortáveis e com ajuste de altura, posição mais agradável que lhe proporcione maior visão, ajustes de altura e profundidade da direção, e acesso mais fácil aos comandos no painel, na porta e no câmbio.

Perceba ainda qual tem menores pontos-cegos, seja pela largura das seis colunas do teto ou pelo ângulo de ajuste dos retrovisores externos. Lembre-se de que estar sentando confortavelmente, com os equipamentos todos à mão e ampla visão ao seu redor é essencial para pôr o carro em movimento.

Com tudo isso ajustado, pegue o trecho. Repare nas diferenças de torque na arrancada e nas retomadas de velocidade, pois isso pode fazer a diferença em algum momento, especialmente na estrada. Analise também qual carro apresenta o melhor encaixe das marchas.

Note o isolamento acústico do motor e se há barulhos internos. Procure rodar no percurso que você fará diariamente, ou pelo menos por um que tenha características parecidas, como asfalto, paralelepípedo, buracos, lombadas, subidas e decidas. Sinta como cada concorrente se sai nas mesmas condições. Atente para o comportamento da suspensão em relevos diferentes e em curvas. De preferência misture trechos urbanos e rodoviários.

Agora sim, munido também de conhecimento prático sobre veículos semelhantes, você poderá fazer a escolha mais consciente, optando por qual ofereça um espectro mais amplo de características, seja beleza, desempenho, espaço, economia, segurança, tecnologia ou qualquer outra que você procure. Boa compra!

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Subsídio garante RIT em Curitiba

Terminou, enfim, a troca de farpas entre o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet, e o governador Beto Richa sobre a manutenção do subsídio estadual para o transporte coletivo. Pelo menos até fevereiro de 2014.

A novela, de cinco meses, teve o último capítulo no início de maio, quando foi assinado o acordo que garante o repasse de R$ 40 milhões do estado e de R$ 22,7 milhões do município para a Rede Integrada de Transporte (RIT).

Agora a população pode ficar tranquila, pois – além do valor da passagem permanecer em R$ 2,85 – mantém-se a integração do sistema, que beneficia 2,3 milhões de passageiros transportados por dia. A RIT é formada por 30 terminais de transporte, 362 estações-tubo em 81 quilômetros de canaletas, 1.930 ônibus e nove mil pontos de parada.

Além de Curitiba, engloba 12 outras cidades: Almirante Tamandaré, Araucária, Bocaiuva do Sul, Campo Largo, Campo Magro, Colombo, Contenda, Fazenda Rio Grande, Pinhais, Piraquara, Rio Branco do Sul e São José dos Pinhais.

Essa enorme estrutura é essencial para atender os usuários, que se locomovem à capital todos os dias para trabalhar, estudar, procurar serviços médicos, fazer compras, entre outras razões. Considerada modelo, a RIT beneficia muito as pessoas, tanto no deslocamento entre os municípios quanto na economia para o bolso.

Mas nem tudo são flores, como pode pensar quem não utiliza o transporte coletivo – principalmente se morar fora da região metropolitana. Ver pela tevê os ônibus biarticulados, os ligeirinhos e as estações-tubo é bem diferente de utilizá-los – em especial na hora do rush. O grande número de usuários em determinados horários torna estressante compartilhar as estações e os ônibus, os quais parecem verdadeiras latas de sardinha!

Enormes filas para entrar nos tubos, concentração de pessoas num espaço reduzido, empurra-empurra, disputa por lugares, tropeços, pisões, tudo isso faz parte da rotina dos passageiros. Quem não quer passar por isso opta, se possível, por usar outros meios de transporte, como bicicletas, táxis, motos e carros.

Se por um lado essas pessoas escapam dos aborrecimentos provenientes da lotação nos coletivos, por outro enfrentam congestionamentos em vários pontos críticos em momentos de movimento intenso. Esse cenário, porém, não é exclusividade de Curitiba – está cada vez mais presente no dia a dia de municípios de porte médio.

Em parte isso se explica pela falta de planejamento urbano condizente com a evolução populacional e veicular nas cidades. Por isso, é premente o poder público e as autoridades administrativas de trânsito buscarem alternativas para desafogar o trânsito e melhorar as condições de transporte aos cidadãos.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Como é o seu comportamento no trânsito?


O trânsito é um complexo sistema de interação entre pedestres e veículos. Para regulamentá-lo, há regras que devem ser cumpridas visando à harmonia nessa relação e à prevenção de acidentes. Cada integrante tem seu espaço, que deve ser respeitado para o bem de todos.

O Código de Trânsito Brasileiro foi instituído pela Lei 9.503, de 23 de novembro de 1997, e contém 341 artigos. Além dessa norma, há 439 resoluções do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) editadas ao longo dos 15 anos do CTB.

Conhecer todo esse cabedal de regras é praticamente impossível até mesmo para os mais experientes, sejam motoristas, agentes e autoridades de trânsito. Entretanto, para trafegar em paz e seguir a legislação, não é necessário ser um expert. É preciso, contudo, manter-se atualizado, reciclar os conhecimentos, ler sobre o assunto, bem como ter um comportamento prudente de circulação. Principalmente, isso!

Basta uma observação mais atenta para constatar pedestres cruzarem vias fora da faixa; ciclistas e motociclistas circularem no centro das pistas; motoristas ignorarem a seta, falarem ao celular, furarem o sinal vermelho, entre centenas de outras infrações – muitas graves, outras nem tanto.

Será que seguir o Código de Trânsito Brasileiro é importante apenas para tirar a carteira de habilitação? Para muitos, sim. As pessoas menos conscientes parecem não dar valor à importância das normas de circulação. É evidente que nem o cidadão mais responsável está isento de cometer infrações de trânsito. Por isso, o ideal é deixar fora do veículo os problemas, concentrar-se nas suas ações e em todo o movimento ao seu redor.

Observar o erro alheio também é uma maneira de se policiar, ou seja, de não praticar a mesma infração. Da mesma forma, ser paciente e tolerante é fundamental, pois dirigir de cabeça de quente aumenta o risco de se envolver em confusão e em acidentes.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Com a lei seca, todos podem ganhar


O rigor da Resolução 432 do Contran, que pune o motorista com qualquer quantidade de álcool no organismo, pode sim trazer vantagens para toda a sociedade. O resultado da tolerância zero já é comprovado por meio de estatísticas de trânsito, que revelam diminuição no número de acidentes e, por conseguinte, no total de vítimas.

No carnaval deste ano, por exemplo, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal, o total de sinistros baixou 350 em relação ao mesmo período de 2012, com 35 mortes e 414 feridos a menos.

A medida vai além de tentar conter a ocorrência de desastres e de salvar vidas, embora sejam esses os objetivos principais. Mesmo que a duras penas, com a imposição de multas caras e até prisão, a lei seca começa a reforçar nas pessoas a consciência de que não se deve assumir o volante após o consumo de bebida alcoólica, independentemente da dose ingerida.

No Brasil, infelizmente, essa educação compulsória é necessária em muitas áreas, para incutir na sociedade um maior senso de responsabilidade e de respeito às normas de convivência.

Ao contrário do que pensam alguns, a legislação mais rígida não traz necessariamente prejuízos para bares e restaurantes. A possibilidade da diminuição de clientes nesses estabelecimentos pode ser evitada com criatividade. E na prática boas ideias já são vistas pelo país, como parcerias entre comerciantes e taxistas – uma boa alternativa para as duas categorias e para os clientes.

A lei pode, inclusive, aproximar mais as pessoas e diminuir o número de carros nas ruas, com o incentivo à carona. Grupos de amigos podem sair juntos, revezando a função de motorista. Assim ninguém precisa abrir mão dos programas, divertindo-se e retornando em segurança.

A determinação do Contran também pode aquecer a economia com o aumento da produção de bebidas sem álcool. Há no mercado algumas opções de cerveja e vinho, embora produzidas em menor escala. Com a tolerância zero, as fábricas poderiam aumentar a produção desses produtos e lançar versões sem álcool das marcas consagradas.

Vale lembrar que a cerveja sem álcool, por exemplo, tem o mesmo sabor da tradicional, portanto o prazer de tomar a sua “breja” trincando não diminuiria!

No trânsito, atenção, responsabilidade e reflexos apurados são fundamentais para salvar vidas, então todas as medidas, mesmo que enérgicas, são bem-vindas para o bem da coletividade.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O petróleo continuará a mandar no mundo?


Não é à toa que ele é chamado de “ouro negro”, afinal os países produtores autossuficientes faturam bilhões (os famosos petrodólares) com a venda de petróleo — matéria-prima para combustíveis, medicamentos, plástico, gás de cozinha, asfalto, entre outros produtos consumidos no mundo todo.

Até uma invasão bélica ao Iraque ocorreu para usurpar o petróleo iraquiano, sob o falso argumento de que o país possuía armas de destruição em massa. Após a destituição e a execução do então presidente Saddam Hussein, da destruição de muitas cidades e da morte de milhares de pessoas, a ONU reconheceu a inexistência do propagado perigo mundial alegado pelos “States”. E ficou tudo por isso mesmo.

A dependência norte-americana do combustível fóssil é tamanha que o país (maior importador e consumidor mundial) compra até mesmo da Venezuela, sem nenhuma retaliação ao presidente Hugo Chávez, um feroz anti-imperialista. Se não existisse essa dependência, será que o venezuelano atacaria os Estados Unidos como faz, ou o Tio Sam ficaria tão comportado como está? Vale lembrar que a Venezuela tem a maior reserva petrolífera do planeta, com o equivalente a 296,5 bilhões de barris.

Um dos usos mais conhecidos do petróleo é na produção de gasolina e óleo diesel. Milhões de consumidores no mundo inteiro dependem do “ouro negro” para se locomover. Por aí é possível imaginar a força das multinacionais petrolíferas e o poder de lobby delas para dificultar o desenvolvimento de combustíveis alternativos, como biodiesel, eletricidade, energia solar ou qualquer outro.

Apesar de iniciativas como a de Itaipu, que produz o veículo elétrico, da cidade de São Paulo, onde dez táxis elétricos rodam pelas ruas, e aqui em Curitiba, onde os Ligeirões utilizam o biodiesel, entre outras nacionais e estrangeiras, não existe nada que incomode ou diminua a supremacia do combustível fóssil e sirva de fonte de energia limpa para a saúde humana e do planeta e de alternativa para consumidores — salvo o etanol brasileiro, que é uma boa opção mas tem suas desvantagens.

Por enquanto as pesquisas estão tímidas, com poucos carros totalmente elétricos em circulação ou em testes. Isso no ano 2013 do século 21! Alguns anos atrás, antes da virada do milênio, imaginava-se um futuro mais robotizado, até com veículos voadores no estilo dos Jetsons. Na realidade, quase nada daquilo que mexia com a imaginação foi concretizado ou saiu do papel para a produção em série. E pelo andar dos investimentos, nem sairá num curto prazo — principalmente com valor acessível ao bolso da maioria dos consumidores mundo afora. 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Prisão é suficiente para punir autores de homicídios dolosos?



Em primeiro lugar, gostaria de deixar claro que não sou favorável a atos extremos, radicais, como “fazer justiça com as próprias mãos”. A razão, o bom senso e, acima de tudo, a lei devem prevalecer em qualquer atitude a ser tomada pelas pessoas.
Mas alguns fatos ocorridos no dia a dia – ainda capazes de chocar a sociedade mesmo diante da violência cotidiana que parece tornar os indivíduos insensíveis – provocam em mim uma reflexão, talvez compartilhada por alguns leitores: a prisão simples é uma medida suficiente para punir autores de homicídios dolosos?
A Constituição Federal proíbe medidas punitivas como pena de morte (exceto em tempos de guerra), penas de caráter perpétuo, trabalhos forçados, penas cruéis e banimento. E o Código Penal determina 30 anos como o prazo máximo de prisão, independentemente do total da pena aplicada pela Justiça.
Segundo essas normas legais, a punição máxima a que uma pessoa é submetida no Brasil por matar ou mandar executar dolosamente alguém é permanecer três décadas encarcerada, sem nada fazer para tentar reparar o mal causado a uma família ou à sociedade como um todo.
Imaginar friamente, sem deixar o lado emocional prevalecer, alguém preso durante 30 anos pode parecer algo severo. Porém esse tempo é passageiro – e o condenado ainda pode obter a progressão do regime fechado para o semiaberto após cumprir dois quintos da pena. Ou seja, depois de 12 anos o criminoso é solto, precisando apenas dormir no cárcere.
Por exemplo, o sujeito pode ter sido condenado a 200 anos de reclusão, com a incidência de fatos qualificadores e aumentativos de pena, entretanto fica no máximo 30 e tem a possibilidade ser beneficiado com a progressão após 12. A pena inicial, que parecia rigorosa, acaba reduzida a nada se comparada à dor e às consequências causadas por um homicídio doloso.
A título de esclarecimento, homicídio doloso é matar alguém intencionalmente ou assumir o risco de fazê-lo. E quem neste mundo tem o direito de mandar assassinar ou de tirar a vida de um semelhante? Que juiz ou tribunal de exceção pode decidir por uma sentença de morte? Absolutamente nenhum se respeitada a Constituição da República!
No Brasil, contudo, não faltam casos hediondos contra a vida, que causam comoção e indignação na sociedade. Pelo contrário, sobram exemplos de como o ser humano é cruel, vil, capaz de atos bárbaros por pouca coisa. Casos Nardoni, Glauco Villas Boas, Pimenta Neves, Suzana von Richthofen e dezenas de outros com menos destaque da mídia, mas tão graves quanto, revelam quão imensa é a bestialidade da espécie humana, a única considerada racional.
Racional? Qual seria a racionalidade ao planejar e consumar atos extremos e repugnantes por vingança, ciúme, dívida, cobiça ou qualquer outro motivo? Será que se o país tivesse leis mais severas para punir autores de assassinatos premeditados, e elas fossem efetivamente aplicadas, seria tão fácil decidir mandar executar uma pessoa ou então consumar o crime?
Ao saber que poderia passar o resto da vida preso, trabalhando remuneradamente em favor dos familiares de sua vítima, ou mesmo ter sua vida tirada em troca da que foi ceifada, um indivíduo não pensaria mais antes de matar ou de encomendar a morte de outra pessoa?

sábado, 1 de dezembro de 2012

Cartel ou coincidência?


O início de novembro foi marcado por protestos em alguns postos de combustíveis de Curitiba, após a elevação do preço da gasolina. Motoristas fizeram filas nas bombas para colocar valores mínimos, como R$ 0,50 e R$ 1, pagar no cartão de crédito e exigir nota fiscal nos estabelecimentos onde foram registrados os maiores aumentos.

Além de repercutir na mídia nacional e refletir o descontentamento do consumidor, a mobilização levou o Procon-PR e o Ministério Público a aplicarem uma multa de R$ 1,2 milhão ao Sindicombustíveis do Paraná. Segundo o promotor Maximiliano Ribeiro Deliberador, “a multa se deu à prática, que não é de hoje, de se aumentar os preços na véspera do feriado”.

Os brasileiros sabem que os combustíveis são caros no país, principalmente a gasolina. Que em grande parte isso se deve à elevada carga tributária, também. Mas e sobre a possível existência de cartéis no segmento, manipulando o mercado e lesando o consumidor? Será que existem?

E em Curitiba, haveria a combinação de preços? Teria sido coincidência um posto em Pinhais, na região metropolitana da capital, ter sofrido um atentado à bala — justamente na época do último aumento — em virtude de o proprietário ter se negado a elevar o preço? Vale lembrar que fatos assim já foram registrados em ocasiões semelhantes.

Questões como essas são difíceis de responder, eu entendo. Embora seja possível para o consumidor formar uma opinião diante de algumas evidências e sendo um bom observador.

Por exemplo, uma pesquisa realizada pelo Procon-PR em Curitiba, entre 18 e 24 de novembro, traz alguns dados intrigantes. O principal: de 95 estabelecimentos consultados, 43 vendiam o litro da gasolina por R$ 2,89. Ou seja, em 45% deles o valor era o mesmo. Seria somente pura coincidência?

Em outros 21 postos, o preço cobrado era de R$ 2,84; em oito, R$ 2,79; e nos demais os valores variavam de R$ 2,49 a R$ 2,94. Assim, a média do litro da gasolina comum ficou em R$ 2,85 naquela semana.

Para consultar as pesquisas realizadas nos municípios, basta entrar no site da Agência Nacional do Petróleo (ANP). O link para o levantamento citado neste texto é:

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Meu primeiro Agrinho


Quando cheguei ao Expo Unimed naquela sexta-feira chuvosa, dia 9, por volta das 8h30, tive uma pequena ideia do que seria a 17ª solenidade de premiação do Programa Agrinho. Na entrada, ônibus de várias cidades do Paraná, dos quais desembarcavam professores e alunos, personagens centrais da cerimônia.

Eles, os demais convidados e a imprensa logo eram recepcionados por funcionários do Sistema FAEP/SENAR, que como bons anfitriões prestavam as orientações solicitadas, sempre com um sorriso no rosto. E não poderia ser diferente, afinal a data tradicionalmente é marcada pelo clima de festa e emoção.

E o ambiente estava propício para as comemorações que viriam, com uma decoração temática, obviamente tendo o Agrinho como mote, e painéis cujas imagens digitais interativas chamavam a atenção de todos. Nos dois salões, a série de flashes das máquinas fotográficas marcava o interesse de registrar aquele momento especial.

No espaço destinado aos estudantes, brincadeiras, uma cabine fotográfica e os animados bonecos do Agrinho, Aninha e Nando entretinham as crianças, enquanto professores assistiam à palestra do renomado psicólogo e educador Marcos Meier.

Eram 10 horas. Estava prestes a iniciar a premiação. Com o salão principal repleto, começavam a entrar os alunos e as professoras finalistas. Após a abertura oficial, com as estrelas devidamente colocadas no palco, os mestres de cerimônia iniciavam a entrega dos 212 prêmios.

Sim, mais de duas centenas de máquinas fotográficas, televisores, computadores de mesa e netbooks compunham o rol de prêmios que incluíam cinco veículos novinhos a ser entregues às autoras das experiências pedagógicas vencedoras. Mas esse seria o ápice da festa. A quantidade e a qualidade dos presentes chamaram minha atenção, contudo eram proporcionais à importância do Agrinho para a educação paranaense.

A cada anúncio dos melhores trabalhos, os aplausos e a euforia ecoavam pelo ambiente. Até mesmo os não premiados se rendiam à emoção dos vencedores. É bem verdade que todos alimentavam a vontade de retornar para casa com o título, mas o espírito do programa e a satisfação por estar ali amenizavam a passageira decepção.

Ao passo que o tempo passava e os prêmios iam sendo entregues, crescia a expectativa das docentes, que alimentavam o desejo de sair dali com um dos cinco carros expostos ao lado do palco. Enfim chegava a hora. Notei um clima de tensão no ar. O ponto culminante estava por vir.

Um automóvel estava reservado ao primeiro lugar da categoria Experiência Pedagógica entre escolas particulares. Cinco professoras torciam para ter o nome anunciado, entretanto apenas Sharlene Davantel Valarini, de Engenheiro Beltrão, pôde ir à frente e deixar caírem as lágrimas, que emocionavam também o púbico. Para ela, em especial, aquele momento era pura poesia, como o tema do vitorioso projeto voltado a uma de suas turmas.

Em seguida, 20 educadoras da rede pública esperavam ansiosas assumir o banco dianteiro dos outros quatro Palios. A relação era de cinco por um, e aos poucos a quarta, terceira e segunda colocada eram premiadas. Agora restava somente um veículo e 17 professoras. Quem sairia coroada com o título de autora da melhor experiência pedagógica do estado?

Embora todas se sentissem vitoriosas por ter chegado até ali, a música da vitória – que marcou as manhãs de domingo após o inesquecível Ayrton Senna deixar os adversários para trás – só tocaria para uma delas. E o lugar mais alto do “pódio” foi ocupado por Sandra Foletto Kalschne, de Serranópolis do Iguaçu. Em sua segunda participação no Agrinho, o projeto de sua autoria (“Sol + verão + proteção = trabalho escolar em ação”) foi eleito o melhor pela banca julgadora.

O choro de alegria, o abraço caloroso das colegas, os cumprimentos das autoridades e o assédio da imprensa certamente ficarão marcados na memória de Sandra. Da mesma forma, na de todos que acompanharam mais uma edição desse valoroso programa, elaborado pela competente equipe do SENAR em prol do desenvolvimento da educação no estado.

Para mim, a educação deveria ser prioridade em qualquer esfera de governo, em empresas privadas e em instituições de qualquer natureza, pois é por meio dela que os resultados melhoram e o país se desenvolve. No Agrinho, esse é o objetivo, o que me faz homenagear os envolvidos nele. Parabéns a todos, e até o próximo ano.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Transporte modelo, mas o trânsito...


Curitiba é conhecida dentro e fora do país por ter um transporte público urbano eficaz e inovador, com ônibus articulados e biarticulados, capazes de transportar centenas de passageiros por canaletas exclusivas e parar nas famosas estações-tubo. Há também os ligeirinhos, implantados para percorrer pontos distantes da cidade em pouco tempo, sem paradas constantes.

Há cerca de duas semanas radicado na capital paranaense e usuário dos coletivos, já percebi que na prática esse sistema não é tão eficiente quando aparenta na teoria. Por ora hóspede de meus pais, no Cajuru, trabalho no centro, um percurso de aproximadamente dez quilômetros.

De segunda a sexta, utilizo o ligeirinho Centenário, que de rápido não tem nada. Ele percorre grande parte do trajeto pela BR-277, em meio a um tráfego intenso e travado todas as manhãs. Mesmo com somente duas paradas, chega ao tubo central em 45 minutos. Uma viagem em comparação com cidades médias, como Foz do Iguaçu, por exemplo, onde — apesar do sistema público medíocre — são raros os itinerários que consomem tanto tempo.

No retorno, por volta das 18 horas, a mesma rotina, agravada nos dias de chuva, nos quais o número de carros parece aumentar; e o tempo no ônibus, não passar. No dia em que escrevi este texto, chuvoso, por sinal, o trajeto consumiu uma hora.

Um detalhe quase diário: os bancos são disputados contrariando uma das leis de Newton, pois quando o ligeirinho chega ao tubo a maioria das pessoas que vão embarcar sequer espera o desembarque, ocupando praticamente o mesmo espaço daquelas que descem. Uma tremenda falta de educação! Portanto, quem mantém a civilidade “viaja” sempre em pé.

Por outro lado, ao vivenciar a experiência, porém sem perder a educação e o respeito, até entendo a pressa para garantir um lugar sentado, principalmente na volta para casa. Ao fim da jornada de trabalho, o cansaço e a fome são dois indutores do egoísmo alheio. Imagine você cansado, querendo se alimentar, preso num trânsito travado, em pé, durante uma hora! Não é à toa que muitos passageiros caem no sono.

Mas a situação poderia ser pior se o transporte fosse ruim. Pelo menos os usuários daqui têm à disposição ônibus decentes, que não demoram a passar, cujas linhas são atendidas por vários coletivos. Pior seria se o número de passageiros de uma capital dependesse de um sistema capenga como, infelizmente, é o de Foz do Iguaçu!