quinta-feira, 5 de março de 2015

A desigualdade de gênero no mercado de trabalho

No mês em que a revista Sobre Rodas (revistasobrerodas.com.br) dedica sua edição, mais uma vez, e com total merecimento, às mulheres, vale expor aqui uma realidade brasileira que ainda precisa ser modificada: a diferença salarial entre os sexos. Em pleno ano de 2015, persiste a prática de remunerar melhor (e privilegiar) o homem em muitos cargos. Em média, o sexo masculino ganha 30% a mais que o feminino.

Pelo menos essa é a constatação do estudo “Estatísticas de Gênero – Uma análise dos resultados do Censo Demográfico 2010”, realizado pelo IBGE em parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres e a Diretoria de Políticas para Mulheres Rurais e Quilombolas do Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Divulgado em outubro de 2014, o levantamento aponta que as mulheres estudam mais, entretanto a formação ocorre em áreas que têm menor remuneração. Também mostra que elas estão mais atuantes no mercado, porém recebem menos que os homens, mesmo tendo aumentado o percentual de mulheres responsáveis pelas famílias e domicílios. Nas áreas urbanas, 39,3% das famílias têm a mulher como responsável. Nos lares em que ela é a chefe (não possui cônjuge mas sustenta os filhos), o índice sobe para 87,4%.

Os números do estudo revelam um avanço na década pesquisada (2000-2010), mas as diferenças perduram. A taxa de atividade profissional subiu de 50,1% para 54,6% entre as mulheres e elas tiveram o maior aumento real do rendimento médio: 12%. Essa é uma conquista importante, contudo ainda percebe-se uma desigualdade, pois o sexo feminino recebe, em média, 68% do que é pago ao sexo masculino.

No ano de 2010, o rendimento médio dos homens era de R$ 1.587; o das mulheres, de R$ 1.074. Segundo o levantamento, a menor diferença foi constatada em cidades com mais de 500 mil habitantes. Em relação às capitais, a desigualdade na remuneração só não diminuiu em Porto Velho (RO) e João Pessoa (PB).

Talvez o dado mais relevante do abismo de gênero seja este: a remuneração média das mulheres pretas ou pardas correspondia a apenas 35% da dos homens brancos (R$ 727 x R$ 2.086). Ou seja, além do fator gênero, os fatores cor e raça também influenciam no salário. Um triplo preconceito!

A diferença entre os sexos é observada ainda entre as faixas etárias. As jovens entre 18 e 24 ganhavam 88% do que era pago aos jovens. No outro extremo, mulheres de 60 anos ou mais tinham rendimento equivalente a 64% do obtido entre os homens na mesma faixa etária.

De acordo com o estudo, em parte as diferenças são explicadas pelo índice de empregadas domésticas e pela menor taxa de formalização feminina no mercado de trabalho. Ironicamente, as mulheres apresentam um nível maior de instrução. Trata-se de um contraste que desvenda uma ultrapassada característica machista da sociedade brasileira.

Embora, por outro lado, esteja crescendo, mas em menor escala, o espaço para as mulheres no comando de empresas e em cargos públicos, o Brasil ainda tem muito a evoluir no combate à discriminação de gênero – assim como em ações contra todo tipo de preconceito que permeia a nação.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

O arrocho na cobrança do IPVA

O “pacote de maldades” imposto pelo governo do Paraná à população, com o aval da Assembleia Legislativa, tem na cobrança do IPVA um de seus aspectos mais perversos. O arrocho compreende reajuste de 40% sobre o valor pago em 2014, diminuição de 5% para 3% se o montante for quitado em cota única e divisão da dívida em somente três parcelas – antes eram cinco.

Na prática é isto: os donos de veículos automotores deverão pagar 40% a mais, com um desconto insignificante de 3% à vista ou com um parcelamento menor – o que vai elevar o valor das parcelas, pois naturalmente seriam mais em conta se o prazo anterior para quitação sem juros fosse mantido. Mas não, a ordem é cobrar mais caro e mais rápido!

Embora já saibam disso, talvez os paranaenses percebam melhor a “facada” ao receber, no mês de março, a correspondência com a discriminação do imposto. No bolso, o “golpe” será sentido a partir de abril – com o pagamento da cota única ou da primeira parcela. As demais deverão ser quitadas em maio e junho. O cronograma com as datas varia conforme o fim da placa.

Além da diminuição no número de parcelas, outra mudança negativa aos contribuintes é a imposição do dever de pagar à vista o IPVA de veículos 0 km comprados entre 1º de janeiro e 31 de março. Se você está feliz com o carro novinho, talvez não tenha ficado com essa obrigatoriedade de realizar o pagamento integral até 30 dias após a aquisição. Mas nesse caso, o governo foi benevolente e manteve a alíquota antiga, de 2,5%. A nova, de 3,5%, que resultou no aumento de 40%, será aplicada para os adquiridos a partir de 1º de abril.

O valor do IPVA tem como base a Tabela FIPE, e as alíquotas aplicadas no cálculo variam de acordo com o tipo de veículo: 1% para ônibus, micro-ônibus, caminhões, veículos de aluguel e de carga, de locação e de propriedade de empresas locadoras, e movidos com Gás Natural Veicular (GNV); e 3,5% para os demais automotores.

Estimativa de arrecadação

Segundo o Detran, a frota paranaense chega a 6,4 milhões de veículos em circulação, com 4,3 milhões deles tributados. O lançamento do IPVA 2015 deve atingir R$ 2,8 bilhões. Obviamente há um certo índice de inadimplência todo ano (em média 20%), mas mesmo assim o cofre do governo deve ser bastante reforçado, visto que esse imposto representa a segunda maior fonte de arrecadação para os estados, atrás apenas do ICMS.

Se todas as medidas adotadas pelo governo vão ajudar na recuperação do estado, só o tempo dirá. Vale lembrar que na primeira gestão do atual governador, a Receita Corrente Líquida (arrecadação dos tributos estaduais, mais transferências da União, menos os repasses obrigatórios aos municípios) cresceu de R$ 16,97 bilhões (dezembro de 2010) para R$ 26,46 bilhões (abril de 2014) – 56%, contra 24% de inflação. Já o ICMS teve um crescimento de aproximadamente 69% no período.

Como se vê, arrecadou-se muito, porém se gastou mais ainda. Agora, a população é penalizada com o “pacote de maldades” para tentar remediar as consequências de uma administração equivocada – a qual terá continuidade pelos próximos quatro anos. Mas quem reelegeu o atual mandatário deve estar satisfeito com os rumos do Paraná e certamente não se importará em arcar com a elevação na carga tributária...

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Palio destrona Gol entre os mais vendidos

Depois de 27 anos consecutivos na liderança do rol dos veículos mais vendidos no Brasil, o Gol perdeu o posto para o Palio. A diferença foi pequena, somente 385 unidades, mas o resultado indica que o hatch alemão sentiu a saída de circulação da geração 4, retirada do mercado no início de 2014 para dar lugar ao up!.

Já na conta do italiano, somam-se o Palio Fire e o Novo Palio. Juntos, venderam 183.741 carros. Sozinho, o Gol contabilizou 183.356 unidades – o que leva a crer que se a antiga geração tivesse sido mantida, o alemão teria novamente fechado na liderança.

Não se pode dizer que a aposta no up! foi errada, mas é certo que o pequeno de entrada não empolgou os consumidores como gostaria a Volks. Lançado em fevereiro de 2014, foram comercializadas pouco mais de 5,3 mil unidades por mês. Assim, o up! terminou o ano como o 14º mais vendido, com 58.894 unidades.

Mesmo com bons atrativos, como motor moderno e econômico, menor custo de reparabilidade e notas máximas no teste de impacto do Latin NCAP, entre outros pontos fortes, parece que o pequeno espaço interno, o modesto porta-malas e o design pouco atraente, no meu entendimento, jogaram contra o novato.

Outro fator desfavorável ao veículo de entrada da Volks foi o lançamento do Novo Ka. Comercializado desde setembro, o modelo da Ford aposentou a antiga linha do carro e se apresenta como forte candidato a ocupar os primeiros lugares na lista de mais vendidos, podendo superar inclusive alguns dos já estabelecidos no topo, como Palio, Gol, Uno, Onix, HB20, Sandero e o próprio irmão maior, o Fiesta.

Qualidades para isso o Novo Ka tem de sobra. Seu design é contemporâneo, atualizado ao padrão mundial da montadora americana; os motores são modernos – o 1.0, por exemplo, é o mais potente e econômico da categoria; o espaço interno é bom, em nada deixando a desejar aos rivais maiores; além do sistema multimídia e equipamentos de série, como controle de estabilidade, de tração e de partida em rampas.

Este ano, com o mesmo período de vendas dos demais do segmento, o modelo de entrada da Ford poderá mostrar a que veio. Os 12 meses também servirão para saber se o Gol conseguirá recuperar-se e ultrapassar o Palio, ou se perderá mais colocações, obrigando a montadora alemã a apressar o lançamento de sua nova versão – programada para 2016.

Sim, a Volks já trabalha para atualizar o modelo, cuja frente terá o padrão atual dos irmãos Fox e Golf, entre outras modificações ainda estudadas pela equipe de desenvolvimento. O Polo europeu também servirá de inspiração.

O certo é que a lista dos dez mais vendidos deve ser, mais uma vez, dominada pelos hatches, com a possível presença de algum sedã médio. Em 2014, Siena e Prisma se colocaram na sétima e décima posição, respectivamente. As demais foram ocupadas por Palio, Gol, Onix, Uno, HB20, Fiesta, Fox e Sandero, nessa ordem.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Vá e volte de sua viagem em segurança

Tem planos de viajar para comemorar as festas de fim de ano? Destino definido, família avisada e hotel reservado? Enfim, tudo planejado, restando só pegar a estrada? Bacana, porém não se esqueça de incluir nesse planejamento a revisão do veículo, afinal ele é fundamental para você ir e voltar de seu passeio sem transtornos. Lembre-se de que a demanda nas oficinas aumenta neste mês, portanto não deixe para realizar o checape no seu carango em cima da hora.

Mas para que a viagem transcorra sem problemas e, principalmente, em segurança, não basta revisar o automóvel nem carregar as bagagens e a família e encarar a rodovia. O essencial, especialmente nesta época de mais movimento nas estradas, é manter a prudência. O importante é chegar bem, não rápido! Portanto não solte o “espírito de piloto” que possa existir em você. Tenha em mente que a maioria dos acidentes pode ser evitada desde que os motoristas respeitem o limite de velocidade e não façam ultrapassagens indevidas.

Por mais que as polícias rodoviárias repassem dicas de segurança e que as estatísticas divulgadas na imprensa revelem o número de acidentes, de óbitos e de feridos, nada parece mudar de um ano para outro. E por quê? Porque falta consciência por parte dos motoristas, sobretudo aos que adotam uma direção ofensiva. Não fosse isso, se cada um dirigisse com prudência e atenção redobrada, os índices apresentariam queda e não seria preciso tomar medidas mais rigorosas para tentar evitar as infrações.

Nova lei

Vale lembrar que em 1º de novembro começou a vigorar a Lei 12.971, alterando 11 artigos do Código Brasileiro de Trânsito. A norma prevê, conforme a situação, sanções mais severas como o aumento em dez vezes do valor da multa. Por exemplo, uma infração bastante comum nas estradas é forçar passagem entre veículos que trafegam em sentido oposto. Nesse caso, a multa passou de R$ 191,54 para R$ 1.915,40, mais a suspensão do direito de dirigir.  

Outras infrações comumente praticadas são ultrapassagens pelo acostamento, em interseções, em passagem de nível e em locais proibidos, como curvas ou pela direita. Nesses casos, a pontuação na carteira foi de cinco para sete pontos, e o valor da multa subiu para R$ 957,70 – 650%. Aqui no Paraná, tais condutas geraram 55 mil autos de infração de janeiro a agosto de 2014, segundo o Detran. Ou seja, isso mostra falta paciência, bom senso e consciência aos condutores. 

Para saber se o endurecimento na punição vai resultar em menos multas e acidentes, é necessário esperar o balanço habitualmente divulgado pelas autoridades de trânsito. Este será o primeiro período de festas (Natal, ano-novo e carnaval) após a mudança na legislação, então será possível comparar os números. 

O ideal seria a manutenção permanente de campanhas educativas, a massificação, o trabalho incansável para reduzir os acidentes e buscar a adoção de uma direção defensiva. O aumento das penalidades isoladamente talvez não seja suficiente para mudar a realidade brasileira, mas pode colaborar em parte, pois as pessoas parecem aprender com mais facilidade quando “pesa no bolso”. Não deveria ser assim.

sábado, 25 de outubro de 2014

Curitiba pode ter a “Lei da Bicicleta”

Referência nacional em mobilidade urbana, embora com problemas, a exemplo das médias e grandes cidades brasileiras, Curitiba pode ser a pioneira no país a ter a “Lei da Bicicleta”.

Um projeto de iniciativa popular (Projeto de Lei da Mobilidade Urbana Sustentável – Lei da Bicicleta) tramita na Câmara Municipal, onde já foi aprovado pela Comissão de Urbanismo, Obras Públicas e Tecnologias da Informação. Agora, será analisado pela Comissão de Direitos Humanos, Defesa da Cidadania e Segurança Pública e pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, antes de ser discutido em plenário.

A iniciativa partiu da Associação Paranaense de Encaminhamento Legislativo Autônomo e foi acatada como projeto pela Comissão de Participação Legislativa. A proposta prevê a implantação de ciclovias e ciclofaixas em 5% das vias urbanas da capital. Outra sugestão é a criação de bicicletários ou estacionamentos em terminais do transporte coletivo, estabelecimentos de ensino, complexos comerciais, praças e parques públicos.

O projeto ainda contempla a existência de postos de locação de bicicletas em pontos estratégicos, a exemplo do que ocorre em outras cidades brasileiras e estrangeiras. Além disso, considera a realização de campanhas educativas e sensibilizadoras para incentivar o uso das “magrelas” como meio regular de transporte.

Em colunas anteriores, já abordei a utilização das bikes como uma boa alternativa de mobilidade urbana. Entre as vantagens estão, principalmente, a redução de veículos nas ruas e os benefícios para a saúde e para o meio ambiente. Apesar de as bicicletas já serem bastante utilizadas para a população locomover-se a trabalho ou a lazer, a existência de uma lei poderia fomentar o uso desse meio.

Por si só, a proposta de criar estacionamentos para elas já é um estímulo ao seu uso, afinal muitas vezes os adeptos a essa forma de locomoção a deixam de lado no dia a dia por simplesmente não haver um local próprio para abrigá-las. Com pontos específicos em parques, centros comerciais, instituições de ensino, entre outros de concentração humana, certamente mais pessoas fariam das bicicletas seu principal meio de transporte.

Igualmente interessante seria a existência de postos de locação em que o usuário pudesse pegar a “magrela” em um local e deixá-la em outro. Esse sistema faria dela uma alternativa aos tradicionais ônibus e táxis, podendo deslocar-se unindo os benefícios do exercício físico ao prazer de pedalar, sem a necessidade de ter uma bike própria.

Caso a “Lei da Bicicleta” seja aprovada, sem dúvida a cidade e a população só terão a ganhar. Mas é preciso que os legisladores municipais agilizem o processo, pois o projeto foi protocolado na Câmara em novembro de 2013. Mesmo não sendo uma questão de extrema urgência, o poder público deve assumir seu papel em busca de soluções para o problema da mobilidade urbana nos grandes centros.

sábado, 27 de setembro de 2014

Dia Mundial Sem Carro x Precariedade do Transporte Público

O Dia Mundial Sem Carro, lembrado com atividades em várias cidades do planeta em 22 de setembro, foi criado na França no ano de 1997 com a finalidade de provocar uma reflexão sobre o uso excessivo dos veículos automotores e propor a utilização de outras formas de deslocamento. No Brasil, a iniciativa é desenvolvida desde 2001.

Esse estímulo à adoção de meios alternativos de transporte, reduzindo a dependência de carros e motos, é fundamental para melhorar a qualidade de vida, reduzir o estresse, diminuir o número de acidentes, entre outros benefícios ao meio ambiente e à saúde, sobretudo nas grandes cidades, onde a concentração de veículos gera as piores consequências.

Mundo afora, o dia 22 de setembro tem a adesão especialmente de grupos de ciclistas, que fazem das “magrelas” sua principal forma de deslocamento. E quem opta pelas bicicletas realmente só tem a ganhar, pois, ao mesmo tempo em que realiza uma atividade física saudável, escapa dos congestionamentos estressantes e dos transtornos do transporte de massa.

Mas nem todas as pessoas gostam ou podem utilizar as bikes para se locomover, não restando alternativa para chegar aos seus compromissos que não os veículos motorizados próprios ou públicos. E nesse caso, é incomparável a comodidade entre um carro e os coletivos (ônibus, metrôs, trens...).

Aqui em Curitiba, considerada modelo em transporte público, é fácil perceber por que milhares de pessoas não trocam os automóveis ou as motos pelos coletivos. Nos horários mais concorridos do dia, os ônibus rodam lotados, apesar do grande número de carros para cada linha e da existência dos famosos articulados e biarticulados, da linha Circular Centro, linha Inter-Hospitais e ligeirinhos, que se constituem opções para os usuários do sistema.

Em 2013, segundo estatística da URBS, 2.225.000 passageiros utilizaram – por dia – os ônibus da Rede Integrada de Transportes (RIT), que liga a capital às 14 cidades da região metropolitana. Diante dessa realidade, por mais estruturada que seja a rede, o que se vê na hora do rush são terminais, pontos de parada e estações-tubo lotados, pessoas embarcando antes mesmo do desembarque de outras, lotação, pisões, passageiros concentrados nas portas... Enfim, cenas que não condizem com a fama de cidade-modelo.

O fato é que, para o Dia Mundial Sem Carro conseguir melhores resultados, é necessário também que o poder público melhore a mobilidade urbana. Somente com condições mais dignas as pessoas trocariam o conforto dos seus veículos pelo transporte de massa – mesmo a viagem de ônibus sendo mais rápida pelas vias exclusivas (onde elas existem).

Mas é claro que cada um pode e deveria fazer a sua parte. Por que não deixar o carro em casa para se deslocar em trajetos curtos? Ou então que tal usar menos vezes na semana o veículo particular? E ainda por que não adotar a carona ou o compartilhamento veicular como alternativa?

domingo, 31 de agosto de 2014

Você faz uso severo do seu veículo?

O que vem à sua mente ao ouvir falar em uso severo de veículos? Talvez a ideia imediata seja rodar bastante todos os dias. Se você pensa assim, saiba que é um equívoco, pois utilizar pouco o carro – seja na frequência ou na quilometragem – também é usá-lo severamente.

O uso severo caracteriza-se por condições às quais o veículo é submetido. Entre elas, a distância percorrida diariamente. Como todo carro é feito para rodar, não para permanecer parado, usá-lo num percurso inferior a dez quilômetros por dia provoca um desgaste prematuro de alguns itens.

O motor, por exemplo, pode desgastar-se tão ou até mais que o de um veículo que percorre uma distância maior, isso porque o óleo lubrificante não atinge a temperatura adequada para o seu melhor funcionamento.

Da mesma forma, outros líquidos de lubrificação, equipamentos e peças de vedação podem perder a eficiência mais precocemente. É o caso de fluido de freio, sapatas de freio, graxa, mangueiras, filtros, sistema de ar condicionado, entre outros. Ao não serem utilizados (ou se pouco usados), esses itens ressecam, racham ou não cumprem o papel como deveriam.

Outra situação que caracteriza uso severo é enfrentar congestionamentos, pois o propulsor permanece muito tempo em marcha lenta (ligado com o veículo parado ou em deslocamentos curtos). Também provoca esse tipo de desgaste aquecer o motor, por muito tempo, nos dias frios antes de sair pela manhã. O ideal é deixar que a temperatura seja elevada com o automóvel em movimento.

Rodar com frequência em vias sem pavimentação ou em locais com muitas partículas suspensas no ar, perto de indústrias, siderúrgicas, marmorarias, afeta o sistema de filtragem do ar. E fazer constantes viagens levando muito peso, seja em carga ou número de pessoas, e utilizar o reboque também são exemplos de uso severo.

Portanto são inúmeras as situações que provocam desgaste prematuro. Por isso é importante realizar as manutenções preventivas no prazo correto ou até antecipá-las conforme a utilização do veículo. O ideal é seguir as orientações do Manual do Proprietário, o qual informa sobre o uso severo e indica como proceder.

Por falar nele, você já leu o do seu veículo?

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Quando usar vírgula antes da letra “e”

Pode parecer estranho, mas a vírgula deve ser usada antes da letra “e” em alguns casos. 

Você sabe em quais? Vamos a eles:

1º) Orações com sujeitos diferentes.

Nesse caso, para evitar ambiguidade, a vírgula precisa ser utilizada, separando os sujeitos da frase.

Ex.: O juiz marcou a falta, e o jogador reclamou.

Perceba que a ação do juiz se encerra. Se não for utilizada a vírgula, tem-se a impressão de que terá continuidade, como nesta oração:

O juiz marcou a falta e deu cartão amarelo ao jogador.

Ou então:

·         Minha prima foi ao cinema, e meu primo foi ao show.

Sem a vírgula, a ideia é que a ação da prima prossegue:

Minha prima foi ao cinema e comprou pipoca antes da sessão.

Note a diferença nestes outros exemplos:

·        O governo anunciou a medida, e a população reclamou.

·        O governo anunciou a medida e não agradou à população.

·         A cantora recebeu o prêmio, e seus pais ficaram emocionados.

·         A cantora recebeu o prêmio e ficou emocionada.

2º) Quando o “e” for conjunção adversativa.

O “e” é empregado com mais frequência como conjunção aditiva, ou seja, para ligar palavras e orações, com sentido de adição.

Ex.: Comprei uma calça preta e uma camisa branca.

Mas também pode ser uma conjunção adversativa, isto é, indicar relação de contrariedade, oposição – sinônimo de: mas, porém, todavia, entretanto, contudo...  Nesse caso é preciso virgular a frase. Veja:

O aluno estudou muito, e (mas) não passou no exame.

·        A candidata era a mais bonita, e (porém) não foi a vitoriosa.

·        O salão mudou para uma sede maior, e (contudo) não ampliou os serviços.

3º) Repetição da conjunção (polissíndeto).

Polissíndeto é a repetição de uma conjunção na mesma frase, sendo opcional o uso da vírgula.

A criança chorava e soluçava e gritava e reclamava.

·        A criança chorava, e soluçava, e gritava, e reclamava.

·        Talvez viaje em outubro ou novembro ou dezembro.

·        Talvez viaje em outubro, ou novembro, ou dezembro.


É isso. Até mais.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Endurecimento contra os rachas funcionará?



De cinco a dez anos de reclusão. Essa é a pena prevista para quem provocar morte ao participar de racha em via pública. Pelo menos é o que está previsto na Lei nº 12.971/2014 (artigo 308, § 2º), sancionada pela presidente Dilma Rousseff no dia 12 de maio. A norma, que passará a vigorar em novembro, altera 11 artigos do Código de Trânsito de Brasileiro (CTB), entre eles os que tratam da promoção e participação nos populares pegas, com vistas a endurecer as penalidades.

Para lesão corporal grave decorrente desse crime, a previsão legal é de três a seis anos de reclusão. Mesmo que não ocasione vítimas, a lei prevê detenção de seis meses a três anos, mais multa e suspensão do direito de dirigir aos motoristas que participarem de disputas não autorizadas em via pública. A lei ainda determina reclusão de dois a quatro anos para quem dirigir sob efeito de álcool ou outra substância psicoativa, além da suspensão do direito de dirigir.

A legislação também aumenta o valor das multas em até dez vezes, podendo chegar a R$ 1.915,40, conforme a infração cometida, com a possibilidade de o montante dobrar em caso de reincidência no período de 12 meses. Em suma, com a nova lei, o CTB passa a prever medidas administrativas e penais mais rigorosas. E não poderia ser diferente, afinal matar ou deixar lesões graves em alguém é algo que merece punição exemplar.

Veículos são verdadeiras armas nas mãos de irresponsáveis que fazem de pista de corrida as vias públicas. Movidos por uma suposta adrenalina, muitos inconsequentes chegam a investir na preparação dos carros e realizam suas disputas geralmente de madrugada em cidades com ruas e avenidas mais amplas. Mas para esses criminosos, qualquer espaço serve – menos os locais apropriados, os autódromos, que poderiam ser alugados para a promoção dessas corridas. Porém não se pode esperar bom senso de bandidos.

As perguntas que ficam são: o endurecimento da punição vai inibir os rachas? A lei será aplicada com todo seu rigor a quem se envolver nas disputas ou provocar lesão ou morte de inocentes? Para ambas, eu responderia não. E por quê? É simples, porque não acredito que os cabeças-ocas metidos a piloto vão intimidar-se e porque a Justiça ainda precisa dar respostas mais céleres a muitos casos que afetam a sociedade e permanecem impunes.

Só para citar um, quem não se lembra do acidente envolvendo o ex-deputado estadual paranaense Luiz Fernando Ribas Carli Filho, no qual o carro que ele dirigia atingiu o de dois jovens, provocando a morte de ambos? A tragédia ocorreu em 2009, em Curitiba, mas só em fevereiro deste ano o Tribunal de Justiça do Paraná decidiu que o ex-parlamentar irá a júri popular.

Esse caso nada tem a ver com a disputa de racha, mas precisa de resposta exemplar do Poder Judiciário. Vale lembrar que a defesa recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Então, até o STJ manifestar-se (sabe-se lá quando!), continuará permeando entre os familiares e amigos das vítimas o sentimento de impunidade.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Bicicletas elétricas são uma boa opção de transporte


Não é de hoje que o homem utiliza as “magrelas” para sua locomoção. Os primeiros modelos surgiram no início do século 19. Com o tempo, os projetos foram sendo aperfeiçoados e ganharam adeptos no mundo todo. Atualmente, as bicicletas são os meios de transporte mais utilizados no planeta. Algumas cidades, como Amsterdã, na Holanda, são famosas por possuírem um intenso uso de bikes – segundo a prefeitura, são mais de 550 mil.
E não faltam razões para o número de ciclistas ser enorme, afinal as bicicletas têm valor acessível, permitem a realização de exercícios físicos e são uma forma rápida e não poluente de as pessoas se locomoverem. Mas mesmo com os benefícios à saúde e ao meio ambiente, bem como diante de outras vantagens, a utilização delas em massa no dia a dia ainda deixa muito a desejar no Brasil.
E por quê? Bem, alguns dos fatores são a falta de ciclovias ou ciclofaixas, o receio de se transitar em meio aos veículos maiores nas vias públicas, o clima brasileiro, a inexistência de locais apropriados para estacionar as bikes, e até mesmo o comodismo das pessoas. Entretanto, para pelo menos dois desses desmotivadores, há uma boa alternativa: as bicicletas elétricas. Ainda novas no mercado nacional, elas poderiam ser uma saída interessante para quem quer trocar o carro ou o ônibus para deslocar-se durante a semana.
Por combinarem a propulsão mecânica (pedais) com a elétrica, reduzem o esforço físico e, consequentemente, o suor; ou seja, com elas é possível ir ao trabalho, por exemplo, fazendo uma atividade física sem chegar suado. O usuário pode optar pelo deslocamento só por meio do motor, aliando as pedaladas ao funcionamento elétrico, ou apenas pedalando. A saúde e o meio ambiente agradeceriam por seu uso mais constante, principalmente nas cidades que sofrem com poluição e engarrafamentos.
Regulamentadas
Em dezembro de 2013, a Resolução 465 do Contran regulamentou a utilização das bikes elétricas no Brasil. Com isso, elas foram equiparadas às bicicletas tradicionais, dirimindo as dúvidas que existiam para comercialização e uso nas cidades.
 
Segundo o Contran, as “magrelas” motorizadas não necessitam de registro, e o proprietário fica isento do pagamento de tributos e de habilitação. Por outro lado, esses meios de transporte não podem ter potência superior 350 watts nem ultrapassar os 25 km/h. Também não podem ter acelerador, e o motor só deve funcionar quando o condutor pedalar.
 
Para transitar com elas, é obrigatório o uso de capacete de ciclista. Já o veículo precisa apresentar campainha, indicador de velocidade, sinalização noturna dianteira, traseira e lateral, espelhos retrovisores em ambos os lados, e pneus em boas condições.
 
Há no mercado nacional algumas opções, com diferentes tamanhos e modelos. Os valores começam em aproximadamente R$ 2 mil. Se comparados aos das bicicletas não motorizadas mais comuns, os preços são elevados; porém se a comparação for com os demais meios de transporte a motor, as “magrelas” a motor se constituem em alternativas viáveis de deslocamento saudável, limpo e divertido.