quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Trincheira concluída. Até que enfim! E agora?

Depois de dois anos e quatro meses foi, enfim, entregue a trincheira na Avenida Paraná, sob a BR-277, ligando o centro e a Vila A. Desde meados de agosto, os motoristas não precisam mais esperar uma eternidade, muito menos arriscar-se, para cruzar a rodovia, como ocorreu por anos.

A obra terminou, e o resultado ficou muito bom, com duas pistas novinhas em ambos os sentidos, sinalização adequada, trânsito fluindo bem e com segurança. Ótimo! Viva! Maravilha! Calma..., não há motivo para tanta empolgação. Se por um lado a trincheira facilitou a vida da população, por outro a benfeitoria vai ser paga também – e como sempre – pelo povo, em especial os usuários da BR-277. E todos eles, independentemente se moradores ou não da cidade.

Como assim? Com o acréscimo de 0,48% sobre o índice do próximo reajuste no preço do pedágio. Ou seja, até quem não utiliza a trincheira vai desembolsar a mais na correção anual para amortizar o investimento da Ecocataratas.

Esse foi o acordo que o governo estadual fez com a concessionária que explora a 277 entre Foz e Guarapuava, para que ela assumisse o trabalho. Inicialmente era outra a empresa responsável pela construção, mas o contrato acabou rescindido depois de a obra ficar embargada por oito meses por falta de segurança aos trabalhadores.

Sobrepreço

Contudo o atraso no término dos trabalhos não gerou apenas transtornos aos motoristas em outros pontos da cidade, com engarrafamentos e acidentes na Avenida JK, no trevo de entrada de Foz na BR-277 e nas imediações desses locais. Provocou também um absurdo sobrepreço de 57,5% no valor original da trincheira. Orçada em R$ 8 milhões, custou R$ 12,6 milhões!

Dessa forma, pelo preço de uma, quase poderiam ter sido construídas duas trincheiras – ou alguma obra de engenharia que desse mais segurança a quem chega à cidade ou acessa a 277 em direção ao CTG Charrua vindo da Costa e Silva. Afinal, pela intensidade de veículos ali, chega a ser, no mínimo, ridículo um cruzamento como aquele. 

E para completar o disparate, no ato da inauguração da obra, foram colocadas placas “Viaduto Governador José Richa” nas laterais da pista da BR-277 sobre a trincheira. Isto é, construíram uma coisa e inauguraram outra. É cômico – tão quanto a denominação escolhida para o local, nitidamente para agradar ao ego do atual governador, filho do homenageado.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

As supermáquinas do “Caçador de Marajás”

Fim dos anos 80. O país se prepara para a primeira eleição presidencial direta após a ditadura militar. Apoiado pela mídia, desponta para o Brasil o governador de Alagoas, Fernando Collor de Mello. Por manter um discurso enérgico de combate à corrupção e travar uma briga contra funcionários públicos alagoanos que recebem altos salários, passa a ser chamado de “Caçador de Marajás”.

Com a imagem valorizada pelo marketing e pela imprensa, principalmente pelos meios de comunicação que temiam a vitória de Lula, é eleito presidente da República em 1989. Sua gestão é marcada por fatos inesquecíveis, como o confisco da poupança e a renúncia em 1992. Mas não apenas por isso, afinal Collor adorava ser notícia em aventuras como jogging com tênis importados, aulas de caratê e passeio em avião de caça da Força Aérea Brasileira.

Também ganha evidência pela abertura econômica, a qual permite a importação de centenas de produtos, entre eles automóveis. E não poderia ser diferente, pois ainda durante a campanha eleitoral afirma que os carros brasileiros da época “pareciam carroças” se comparados aos estrangeiros. Nisso ele tinha razão, já que os modelos eram bastante espartanos. A partir daí, importados passam a ser vistos nas ruas e, gradualmente, as montadoras começam a sofisticar os veículos aqui produzidos.

Passam-se 23 anos. Nesse tempo, a indústria automobilística nacional cresce, moderniza-se e lança centenas de modelos – alguns inclusive referência para o mercado internacional. Apesar do enorme salto de qualidade, o país não acompanha os mercados estrangeiros, especialmente o europeu e o norte-americano. Embora existam carros de luxo capazes de atender às necessidades dos consumidores brasileiros, eles parecem ainda não ser capazes de satisfazer o hoje senador Fernando Collor.

Os superesportivos

Terça-feira, 14 de julho de 2015. Uma das principais notícias do dia: Polícia Federal apreende um Lamborghini Aventador LP 700-4 Roadster, um Porsche Panamera S e uma Ferrari 458 Italia na Casa da Dinda, residência de Collor em Brasília. Motivo: o parlamentar é investigado na Operação Politeia – fase da Operação Lava Jato que apura suposto envolvimento de políticos na corrupção praticada na Petrobras. Somados, os valores dessas supermáquinas chegam a R$ 5 milhões.

Quem diria, depois de voltar à política, novamente o “Caçador de Marajás” se vê envolvo em denúncias de corrupção. Além disso, vale ressaltar que os superesportivos apreendidos acumulariam dívidas atrasadas. A Ferrari teria R$ 86 mil em débitos de IPVA não quitado; o Lamborghini, R$ 250 mil. Ambos estão registrados em nome de uma empresa da qual o parlamentar é sócio. O Porsche, emplacado em Alagoas, sequer foi totalmente pago ao antigo proprietário. O empresário Luiz Gustavo Malta Araújo alega que vendeu o veículo para a TV Gazeta, da qual Collor é sócio, mas ainda não recebeu R$ 300 mil dos R$ 550 mil acertados pela venda.

A frota de luxo é ainda maior

Não bastasse a ostentação de ter na garagem um Lamborghini, uma Ferrari e um Porsche, o senador possui outros 13 importados, declarados à Justiça Eleitoral em 2014, que totalizam mais R$ 3 milhões aproximadamente. Na coleção, ainda há: Ferrari Scaglietti, Mercedes E320, Cadillac SRX, BMW 760IA, Toyota Land Cruiser, Citroën C6, Land Rover, Hyundai Vera Cruz, Honda Accord, Kia Carnival, Volkswagen Gol 1.6 Rallye e duas Toyotas Hilux. Sem dúvida, uma frota que só um magnata pode comprar e manter!

Irônico e patético que um político alçado à condição de “Caçador de Marajás” viva como um deles e tenha os bens milionários apreendidos numa investigação da Polícia Federal.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Prudência em primeiro lugar

O acidente que resultou na morte do cantor Cristiano Araújo e de sua namorada, Allana Moraes, teve grande repercussão nacional e comoveu milhares de pessoas, principalmente os fãs do músico e familiares das vítimas. Até quem não o conhecia, porém é sensível à dor alheia provocada por acontecimentos inesperados e impactantes, sentiu a gravidade de tal fato.

Ao mesmo tempo em que choca, um sinistro como esse também serve – ou deveria servir – para as pessoas refletirem sobre os cuidados necessários para evitar um acidente e preservar a vida. No caso em questão, apesar de ainda estar sendo investigado, já são conhecidos três fatores que podem ter contribuído e comprovam como a imprudência e a negligência de motoristas e passageiros agravam as consequências de qualquer acidente.

Segundo noticiado amplamente pela imprensa – e confirmado pelas autoridades que tratam do caso –, tanto o cantor quanto sua namorada estavam no banco de trás do veículo e não usavam o cinto de segurança. Como o carro capotou, ambos se chocaram contra o interior do automóvel e foram lançados para fora dele. Já os ocupantes dos bancos dianteiros, que usavam o equipamento, sobreviveram e não tiveram lesões físicas graves.

Esse fato é uma prova inconteste de que o cinto anemiza as consequências de um acidente e, principalmente, salva a vida dos ocupantes de um carro acidentado. Isso já foi comprovado também em testes de impacto promovidos por institutos que avaliam a segurança automotiva. Portanto, seja em longas viagens ou em deslocamentos curtos, nas estradas ou nas cidades, o equipamento deve ser sempre utilizado por todos – todos mesmo, incluindo os passageiros do banco de trás, pois ainda é muito comum a não utilização nele.

Excesso de velocidade

Em depoimento à polícia, o motorista admitiu que conduzia o veículo acima do limite de 110 km/h, embora não tenha determinado a velocidade exata. De qualquer forma, comprova-se que as estatísticas não mentem: transitar acima do limite permitido para as vias é uma das principais causas de sinistros e de óbitos. Algo até óbvio, afinal quanto mais rápido, mais difícil o controle e pior a consequência de uma batida. Porém nem essa obviedade toda nem os números parecem ser capazes de fazer os condutores aliviarem o pé.

Manutenção veicular

Tão importante quanto a forma de conduzir o veículo é fazer a manutenção preventiva dele e adotar os cuidados necessários para uma rodagem mais segura. No caso do acidente que vitimou Cristiano Araújo e Allana Moraes, não cabe dizer que a falta de manutenção pode ter contribuído, pois o Range Rover tinha apenas dois meses de uso.

Entretanto, como apontam os peritos da Polícia Civil e até mesmo funcionários de um lava a jato que higienizaram o carro antes da viagem, uma das rodas apresentava alguns pontos de solda e um deles estaria solto. O conjunto não era o original de fábrica. O próprio motorista disse à polícia que antes do acidente ouviu um barulho e imaginou ser de um pneu estourado. Também revelou que os pneus eram de segunda mão, mas estariam em boas condições.

Então, o estado precário de uma roda pode ter sido a razão do sinistro. Se isso ficar comprovado no fim das investigações, reforçará o que todo dono de veículo deveria saber: as condições de conservação do meio de transporte, seja ele qual for, são imprescindíveis para a segurança e não podem ser menosprezadas.

Não digo que o cantor foi negligente, tampouco o motorista – o qual teria sido avisado pelo dono do lava a jato sobre a falha na roda. Apenas quero ressaltar ser fundamental manter plena a situação de rodagem veicular.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Lei traz mais segurança na compra de veículos

O mês de maio termina com uma boa notícia para quem pretende comprar veículos novos ou usados em empresas do ramo. Trata-se da entrada em vigor da Lei 13.111/15, sancionada em 25 de março pela presidente Dilma Rousseff e com previsão para vigorar em 60 dias.

E o que ela determina? A norma dispõe sobre a obrigação que os empresários têm de informar aos compradores de veículos automotores a regularidade em relação a furtos, multas e taxas devidas, débitos de impostos, alienação fiduciária e qualquer outro registro que impeça a circulação dos bens pelas vias públicas. A lei também menciona o dever de informar a taxa de impostos incidente sobre a venda.

Não que essa prática não fosse algo de praxe nas empresas, pelo menos nas mais sérias, as quais prezam pela ética profissional e respeito aos clientes, mas agora o consumidor pode sentir-se mais seguro por saber que uma legislação específica o protege no momento de adquirir um veículo.

O comprador, muitas vezes inexperiente ou desavisado, passa a ter mais certeza de que o bem não possui pendências de caráter fazendário, policial ou de trânsito. Inclusive, a regularidade deve constar no contrato assinado entre consumidor e vendedor.

Para o empresário que desrespeitar a Lei 13.111/15, está previsto “o pagamento do valor correspondente ao montante dos tributos, taxas, emolumentos e multas incidentes sobre o veículo e existentes até o momento da aquisição do bem pelo comprador”. 

A norma prevê ainda, caso o veículo seja objeto de furto, a restituição integral do valor pago pelo cliente. Além da devolução do pagamento, aplicam-se as penalidades previstas na Lei 8.078, de 11 de setembro de 1990 (Código de Defesa do Consumidor). 

Em qualquer relação de compra e venda, quanto mais transparência, melhor. E é isso que a nova legislação garante. A aquisição de veículos é, em muitos casos, a realização de um sonho – e um sonho nada barato e conquistado em grande parte das negociações por meio de financiamentos ou consórcios, o que pressupõe a vinculação com o bem em médio e longo prazo. Portanto, segurança nunca é demais!

terça-feira, 28 de abril de 2015

Pioneirismo em aluguel de veículos particulares

Você tem mais de um carro em casa ou tem apenas um mas não o utiliza todos os dias? Então que tal alugá-lo e faturar uma graninha de forma segura? Ou, por outro lado, você gostaria de contar com o serviço de locação de veículos sem a burocracia e com mais opções que em uma locadora convencional?

Se gostou da ideia, saiba que isso é possível em Curitiba, onde funciona a primeira rede de compartilhamento de automóveis de particulares da América Latina. Desde o ano passado, pessoas podem alugar carros de maneira simples e rápida, pelo Facebook, por valores menores que os cobrados pelas empresas do ramo e com a cobertura de uma seguradora.

Ao interessado em disponibilizar seu veículo basta cadastrar-se gratuitamente, analisar as solicitações que receber e fazer a reserva. Ao cliente é necessário escolher entre as opções disponíveis e fornecer o número da CNH, do celular e do cartão de crédito. Após tudo acertado, ambos se encontram para a retirada e devolução da chave.

Uma das vantagens do locatário é pagar somente pelo combustível consumido. Ao pegar o automóvel, deve informar, por SMS, a quilometragem. Ele também recebe um cartão de abastecimento e uma senha, para uso apenas em caso de necessidade. Se não precisar abastecer durante o trajeto, pode entregar o carro sem completar o tanque. Na entrega, informa novamente por SMS a quilometragem. A empresa faz o cálculo e cobra do cliente só a quantidade que ele utilizou.

Esse é um sistema inovador e interessante de compartilhamento. Particulares interessados em ganhar dinheiro com seu veículo podem escolher a quem locar, quando e por quanto tempo, tendo o suporte da empresa que controla a rede e a garantia de uma grande seguradora.

Já quem necessita de um veículo tem a liberdade de optar pelo modelo que mais lhe agrada ou será útil, pagando menos do que pagaria a uma locadora tradicional ou evitando depender de outros meios de locomoção, como táxis e ônibus, ou ainda de pedir carona.
Para saber mais, acesse https://www.fleety.com.br.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Curitiba amplia testes com veículos elétricos

Conhecida pela atenção dispensada ao meio ambiente, Curitiba chegou a ser reconhecida internacionalmente como “capital ecológica”. Hoje esse título talvez não seja mais unânime, mas é certo que a cidade ainda é referência na adoção de ações sustentáveis.

No segmento automobilístico, destaque para testes com veículos elétricos. Em março deste ano começaram a circular dois táxis movidos a eletricidade. Os veículos serão utilizados, em forma de rodízio, por sete centrais de radiotáxi até o fim de maio. A proposta é analisar a viabilidade econômica e ambiental dessa iniciativa.

Se for aprovada tecnicamente, poderá originar negócios inovadores, a exemplo do aluguel de carros elétricos para frotas comerciais. As possibilidades são variadas e precisam ser estudadas.

Com os dois táxis em circulação na cidade, Curitiba se junta a Rio de Janeiro e São Paulo, onde os testes com elétricos já ocorrem há mais tempo. Nesses municípios, a parceria é com a japonesa Nissan. Na capital paranaense, com a chinesa BYD, e os automóveis daqui possuem autonomia de 300 quilômetros com uma carga elétrica. O carregamento leva entre uma hora e meia e duas horas, ao valor de R$ 32.

O menor custo para abastecer poderia refletir na diminuição do preço da corrida para os usuários, e o uso da eletricidade geraria benefícios ao meio ambiente, já que se trata de um combustível limpo. Essa combinação de vantagens poderia reforçar o perfil de cidade ecológica e inovadora de Curitiba.

Inovação já traz resultados

Embora a utilização dos táxis seja recente, a cidade já conta com o emprego de outros dez veículos elétricos dentro do Projeto Ecoelétrico. Trata-se de uma parceria entre município, Itaipu Binacional, Aliança Renault-Nissan e CEIIA (Centro para a Excelência e Inovação na Indústria Automóvel) de Portugal.

Esse projeto integra a política de mobilidade urbana sustentável e compreende o uso de cinco veículos Zoe, três Kangoos Z.E. e dois modelos Twizy pela Guarda Municipal, Secretaria de Trânsito (Setran) e Instituto Curitiba de Turismo.

Em nove meses, os elétricos rodaram 40.075 quilômetros e evitaram a emissão de aproximadamente cinco toneladas de CO2. O monitoramento on-line é realizado pelo CEIIA e permite atualizar indicadores como energia elétrica consumida, número de viagens e distâncias percorridas.

Entre junho e agosto de 2014, segundo dados da prefeitura, os veículos movidos a eletricidade consumiram 83% menos que os a gasolina. O total gasto com energia no período foi de R$ 812, contra cerca de R$ 4,6 mil dos que utilizam o derivado de petróleo.

Se 10% da frota fosse composta por carros elétricos, o montante poupado ultrapassaria R$ 180 mil e 96 toneladas de CO2 deixariam de ser emitidas na atmosfera.

Os benefícios da utilização da energia elétrica como combustível são claros e deveriam pautar investimentos em maior escala, tanto privados quanto governamentais. Os números da experiência curitibana estão aí e poderiam servir de exemplo ao Brasil, cuja frota só de automóveis ultrapassa 48 milhões, conforme dados de janeiro do Denatran.

quinta-feira, 5 de março de 2015

A desigualdade de gênero no mercado de trabalho

No mês em que a revista Sobre Rodas (revistasobrerodas.com.br) dedica sua edição, mais uma vez, e com total merecimento, às mulheres, vale expor aqui uma realidade brasileira que ainda precisa ser modificada: a diferença salarial entre os sexos. Em pleno ano de 2015, persiste a prática de remunerar melhor (e privilegiar) o homem em muitos cargos. Em média, o sexo masculino ganha 30% a mais que o feminino.

Pelo menos essa é a constatação do estudo “Estatísticas de Gênero – Uma análise dos resultados do Censo Demográfico 2010”, realizado pelo IBGE em parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres e a Diretoria de Políticas para Mulheres Rurais e Quilombolas do Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Divulgado em outubro de 2014, o levantamento aponta que as mulheres estudam mais, entretanto a formação ocorre em áreas que têm menor remuneração. Também mostra que elas estão mais atuantes no mercado, porém recebem menos que os homens, mesmo tendo aumentado o percentual de mulheres responsáveis pelas famílias e domicílios. Nas áreas urbanas, 39,3% das famílias têm a mulher como responsável. Nos lares em que ela é a chefe (não possui cônjuge mas sustenta os filhos), o índice sobe para 87,4%.

Os números do estudo revelam um avanço na década pesquisada (2000-2010), mas as diferenças perduram. A taxa de atividade profissional subiu de 50,1% para 54,6% entre as mulheres e elas tiveram o maior aumento real do rendimento médio: 12%. Essa é uma conquista importante, contudo ainda percebe-se uma desigualdade, pois o sexo feminino recebe, em média, 68% do que é pago ao sexo masculino.

No ano de 2010, o rendimento médio dos homens era de R$ 1.587; o das mulheres, de R$ 1.074. Segundo o levantamento, a menor diferença foi constatada em cidades com mais de 500 mil habitantes. Em relação às capitais, a desigualdade na remuneração só não diminuiu em Porto Velho (RO) e João Pessoa (PB).

Talvez o dado mais relevante do abismo de gênero seja este: a remuneração média das mulheres pretas ou pardas correspondia a apenas 35% da dos homens brancos (R$ 727 x R$ 2.086). Ou seja, além do fator gênero, os fatores cor e raça também influenciam no salário. Um triplo preconceito!

A diferença entre os sexos é observada ainda entre as faixas etárias. As jovens entre 18 e 24 ganhavam 88% do que era pago aos jovens. No outro extremo, mulheres de 60 anos ou mais tinham rendimento equivalente a 64% do obtido entre os homens na mesma faixa etária.

De acordo com o estudo, em parte as diferenças são explicadas pelo índice de empregadas domésticas e pela menor taxa de formalização feminina no mercado de trabalho. Ironicamente, as mulheres apresentam um nível maior de instrução. Trata-se de um contraste que desvenda uma ultrapassada característica machista da sociedade brasileira.

Embora, por outro lado, esteja crescendo, mas em menor escala, o espaço para as mulheres no comando de empresas e em cargos públicos, o Brasil ainda tem muito a evoluir no combate à discriminação de gênero – assim como em ações contra todo tipo de preconceito que permeia a nação.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

O arrocho na cobrança do IPVA

O “pacote de maldades” imposto pelo governo do Paraná à população, com o aval da Assembleia Legislativa, tem na cobrança do IPVA um de seus aspectos mais perversos. O arrocho compreende reajuste de 40% sobre o valor pago em 2014, diminuição de 5% para 3% se o montante for quitado em cota única e divisão da dívida em somente três parcelas – antes eram cinco.

Na prática é isto: os donos de veículos automotores deverão pagar 40% a mais, com um desconto insignificante de 3% à vista ou com um parcelamento menor – o que vai elevar o valor das parcelas, pois naturalmente seriam mais em conta se o prazo anterior para quitação sem juros fosse mantido. Mas não, a ordem é cobrar mais caro e mais rápido!

Embora já saibam disso, talvez os paranaenses percebam melhor a “facada” ao receber, no mês de março, a correspondência com a discriminação do imposto. No bolso, o “golpe” será sentido a partir de abril – com o pagamento da cota única ou da primeira parcela. As demais deverão ser quitadas em maio e junho. O cronograma com as datas varia conforme o fim da placa.

Além da diminuição no número de parcelas, outra mudança negativa aos contribuintes é a imposição do dever de pagar à vista o IPVA de veículos 0 km comprados entre 1º de janeiro e 31 de março. Se você está feliz com o carro novinho, talvez não tenha ficado com essa obrigatoriedade de realizar o pagamento integral até 30 dias após a aquisição. Mas nesse caso, o governo foi benevolente e manteve a alíquota antiga, de 2,5%. A nova, de 3,5%, que resultou no aumento de 40%, será aplicada para os adquiridos a partir de 1º de abril.

O valor do IPVA tem como base a Tabela FIPE, e as alíquotas aplicadas no cálculo variam de acordo com o tipo de veículo: 1% para ônibus, micro-ônibus, caminhões, veículos de aluguel e de carga, de locação e de propriedade de empresas locadoras, e movidos com Gás Natural Veicular (GNV); e 3,5% para os demais automotores.

Estimativa de arrecadação

Segundo o Detran, a frota paranaense chega a 6,4 milhões de veículos em circulação, com 4,3 milhões deles tributados. O lançamento do IPVA 2015 deve atingir R$ 2,8 bilhões. Obviamente há um certo índice de inadimplência todo ano (em média 20%), mas mesmo assim o cofre do governo deve ser bastante reforçado, visto que esse imposto representa a segunda maior fonte de arrecadação para os estados, atrás apenas do ICMS.

Se todas as medidas adotadas pelo governo vão ajudar na recuperação do estado, só o tempo dirá. Vale lembrar que na primeira gestão do atual governador, a Receita Corrente Líquida (arrecadação dos tributos estaduais, mais transferências da União, menos os repasses obrigatórios aos municípios) cresceu de R$ 16,97 bilhões (dezembro de 2010) para R$ 26,46 bilhões (abril de 2014) – 56%, contra 24% de inflação. Já o ICMS teve um crescimento de aproximadamente 69% no período.

Como se vê, arrecadou-se muito, porém se gastou mais ainda. Agora, a população é penalizada com o “pacote de maldades” para tentar remediar as consequências de uma administração equivocada – a qual terá continuidade pelos próximos quatro anos. Mas quem reelegeu o atual mandatário deve estar satisfeito com os rumos do Paraná e certamente não se importará em arcar com a elevação na carga tributária...

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Palio destrona Gol entre os mais vendidos

Depois de 27 anos consecutivos na liderança do rol dos veículos mais vendidos no Brasil, o Gol perdeu o posto para o Palio. A diferença foi pequena, somente 385 unidades, mas o resultado indica que o hatch alemão sentiu a saída de circulação da geração 4, retirada do mercado no início de 2014 para dar lugar ao up!.

Já na conta do italiano, somam-se o Palio Fire e o Novo Palio. Juntos, venderam 183.741 carros. Sozinho, o Gol contabilizou 183.356 unidades – o que leva a crer que se a antiga geração tivesse sido mantida, o alemão teria novamente fechado na liderança.

Não se pode dizer que a aposta no up! foi errada, mas é certo que o pequeno de entrada não empolgou os consumidores como gostaria a Volks. Lançado em fevereiro de 2014, foram comercializadas pouco mais de 5,3 mil unidades por mês. Assim, o up! terminou o ano como o 14º mais vendido, com 58.894 unidades.

Mesmo com bons atrativos, como motor moderno e econômico, menor custo de reparabilidade e notas máximas no teste de impacto do Latin NCAP, entre outros pontos fortes, parece que o pequeno espaço interno, o modesto porta-malas e o design pouco atraente, no meu entendimento, jogaram contra o novato.

Outro fator desfavorável ao veículo de entrada da Volks foi o lançamento do Novo Ka. Comercializado desde setembro, o modelo da Ford aposentou a antiga linha do carro e se apresenta como forte candidato a ocupar os primeiros lugares na lista de mais vendidos, podendo superar inclusive alguns dos já estabelecidos no topo, como Palio, Gol, Uno, Onix, HB20, Sandero e o próprio irmão maior, o Fiesta.

Qualidades para isso o Novo Ka tem de sobra. Seu design é contemporâneo, atualizado ao padrão mundial da montadora americana; os motores são modernos – o 1.0, por exemplo, é o mais potente e econômico da categoria; o espaço interno é bom, em nada deixando a desejar aos rivais maiores; além do sistema multimídia e equipamentos de série, como controle de estabilidade, de tração e de partida em rampas.

Este ano, com o mesmo período de vendas dos demais do segmento, o modelo de entrada da Ford poderá mostrar a que veio. Os 12 meses também servirão para saber se o Gol conseguirá recuperar-se e ultrapassar o Palio, ou se perderá mais colocações, obrigando a montadora alemã a apressar o lançamento de sua nova versão – programada para 2016.

Sim, a Volks já trabalha para atualizar o modelo, cuja frente terá o padrão atual dos irmãos Fox e Golf, entre outras modificações ainda estudadas pela equipe de desenvolvimento. O Polo europeu também servirá de inspiração.

O certo é que a lista dos dez mais vendidos deve ser, mais uma vez, dominada pelos hatches, com a possível presença de algum sedã médio. Em 2014, Siena e Prisma se colocaram na sétima e décima posição, respectivamente. As demais foram ocupadas por Palio, Gol, Onix, Uno, HB20, Fiesta, Fox e Sandero, nessa ordem.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Vá e volte de sua viagem em segurança

Tem planos de viajar para comemorar as festas de fim de ano? Destino definido, família avisada e hotel reservado? Enfim, tudo planejado, restando só pegar a estrada? Bacana, porém não se esqueça de incluir nesse planejamento a revisão do veículo, afinal ele é fundamental para você ir e voltar de seu passeio sem transtornos. Lembre-se de que a demanda nas oficinas aumenta neste mês, portanto não deixe para realizar o checape no seu carango em cima da hora.

Mas para que a viagem transcorra sem problemas e, principalmente, em segurança, não basta revisar o automóvel nem carregar as bagagens e a família e encarar a rodovia. O essencial, especialmente nesta época de mais movimento nas estradas, é manter a prudência. O importante é chegar bem, não rápido! Portanto não solte o “espírito de piloto” que possa existir em você. Tenha em mente que a maioria dos acidentes pode ser evitada desde que os motoristas respeitem o limite de velocidade e não façam ultrapassagens indevidas.

Por mais que as polícias rodoviárias repassem dicas de segurança e que as estatísticas divulgadas na imprensa revelem o número de acidentes, de óbitos e de feridos, nada parece mudar de um ano para outro. E por quê? Porque falta consciência por parte dos motoristas, sobretudo aos que adotam uma direção ofensiva. Não fosse isso, se cada um dirigisse com prudência e atenção redobrada, os índices apresentariam queda e não seria preciso tomar medidas mais rigorosas para tentar evitar as infrações.

Nova lei

Vale lembrar que em 1º de novembro começou a vigorar a Lei 12.971, alterando 11 artigos do Código Brasileiro de Trânsito. A norma prevê, conforme a situação, sanções mais severas como o aumento em dez vezes do valor da multa. Por exemplo, uma infração bastante comum nas estradas é forçar passagem entre veículos que trafegam em sentido oposto. Nesse caso, a multa passou de R$ 191,54 para R$ 1.915,40, mais a suspensão do direito de dirigir.  

Outras infrações comumente praticadas são ultrapassagens pelo acostamento, em interseções, em passagem de nível e em locais proibidos, como curvas ou pela direita. Nesses casos, a pontuação na carteira foi de cinco para sete pontos, e o valor da multa subiu para R$ 957,70 – 650%. Aqui no Paraná, tais condutas geraram 55 mil autos de infração de janeiro a agosto de 2014, segundo o Detran. Ou seja, isso mostra falta paciência, bom senso e consciência aos condutores. 

Para saber se o endurecimento na punição vai resultar em menos multas e acidentes, é necessário esperar o balanço habitualmente divulgado pelas autoridades de trânsito. Este será o primeiro período de festas (Natal, ano-novo e carnaval) após a mudança na legislação, então será possível comparar os números. 

O ideal seria a manutenção permanente de campanhas educativas, a massificação, o trabalho incansável para reduzir os acidentes e buscar a adoção de uma direção defensiva. O aumento das penalidades isoladamente talvez não seja suficiente para mudar a realidade brasileira, mas pode colaborar em parte, pois as pessoas parecem aprender com mais facilidade quando “pesa no bolso”. Não deveria ser assim.